domingo, 8 de dezembro de 2013

Oposto



Sempre surge algo que me divide, dessa vez parece que vai acabar rasgando-me ao meio, ando com um olhar doentio de quem não dormiu direito, quando o sono não passou de um terrível sonho, poderia ter sido classificado com um ótimo pesadelo se visto de outra forma, Tal qual uma febre ergue o delírio e devolve a razão quando bem entende e quantas vezes desejar.

Olhando aquele abismo no lugar exato onde fica o meio termo, acordo com um sorriso e com a cabeça pesada, suspiro e lamento, lamento e ponho de lado, ponho ao lado e sigo atrás repetindo quase tudo outra vez.

Antes fosse só uma questão não resolvida, só a dúvida, mas não é o caso. É um apelo entre o certo e o certo, para saber o que parece mais errado, durmo e acordo e como antes de deitar permanece tudo empatado.

Então comparo, separo e qualifico, quantificar parece ainda mais errado, dois lados da mesma alma dois lados do mesmo lado, atualmente são lados dissociados e o juízo o que decide? Absolutamente nada. Não existe acordo que satisfaça os interessados se um lado vive o outro morre, se esse vence perdem os dois.

Qual falha de caráter eu reparo que item da moral eu destruo? Em estado inconstante entre salvo e condenado, a falta de ação deixa que tudo que com o tempo se apresentou, pelo tempo seja também levado.

Resta a fuga a uma espécie de ausência de olhos vidrados fadados a ver o que não existe e o que poderia deixar de existir, um local adulto e maduro onde a vida passa e o pensamento fica, onde se investiga todas as escolhas, uma busca sincera pela verdade pura livre da imaturidade que levou a tudo isso.

sábado, 16 de novembro de 2013

Recomeço



O fim do ano chegando eu decido recomeçar a escrever no blog, fico até curioso que eu tenha sobrevivido todo esse tempo sem depositar palavras aqui, não que seja apenas o lugar, muito menos a minha baixa visibilidade, apenas o cuidado de, como mencionei alguma vezes antes, organizar as palavras.

Nesse ritmo de reinicio acabei deixando isso com a cara de um carnaval fora de época, um tipo de forçada de barra que vou fazer descer goela abaixo, bem difícil recuperar qualquer qualidade que eu tenha desenvolvido como escritor, ainda assim, recomeçar é a grande oportunidade que “se vivo ” é oferecida todos os dias. Então na falta da certeza em recuperar qualquer tipo de habilidade segue a esperança de desenvolver alguma.

Onde parei pouco importa, mudei tanto até aqui, não é um bom momento para promessas dificilmente eu teria alguma credibilidade depois de esconder a parte de mim que escreve, a que registra e só deixar a que cala e esquece.

Confesso que existe um grande prazer em ser lido, muitas vezes em ser procurado, prazer maior eu diria em ser achado, claro que nada comparável com a saudade que bate quando se tem a oportunidade de fazer uma releitura do seus escritos e foi isso o que fiz durante varias madrugadas, mentiria se dissesse que não recomendo quebrar algumas regras, ultimamente quebrei a da releitura, estava acostumado a desrespeitar apenas a da regularidade.

Eu que não tinha perdido o interesse em escrever tinha esquecido de alimentar minha vontade de fazer isso, quantas boas frases perdidas, quantas reflexões que já mais vão ser lidas e ainda assim condenei por tantos dias minha multidão de pensamentos ao esquecimento total, sequer lembro de alguns deles, a quantidade então nem em sonhos, esqueço os sonhos também esses vem em menor frequência que as boas frases e somem mais rápido que elas também.

Então... só queria dizer que estou de volta aos registros.

terça-feira, 22 de maio de 2012

É, aquela linha...



Com colossal satisfação volto a escrever, e escolhi a frase mais “original” que conheço para iniciar isso:

Errei mais uma vez.

Errar não é nem de longe tão legal assim, encontrar o problema é que gera felicidade, resolver é um desafio e com grande facilidade pode não dar em nada, tentar é o que faz essa questão tão interessante.

Não que me faltem problemas ou erros, mas alguns me escapam da contagem e tenho que entrar em uma caçada tão desconexa quanto o que geralmente escrevo, e sempre faço isso, mais dia menos dia e acabo seguindo as pistas quase sem querer.

É como olhar uma cena de crime em um hotel, você vai notando as coisas deixadas para trás, obvio que tem coisas que capturam de imediato a sua atenção não seria uma cena de crime sem crime, e o sangue no chão da minha historia como quase sempre é o meu descontentamento.

Não que eu me agrade de tudo, mas sou o tipo de pessoa que no fim do dia já colocou praticamente tudo na conta da esportiva só porque um pequeno detalhe bom aconteceu, qualquer coisa mesmo, um sorriso de um estranho, a companhia de um cachorro de rua na volta para casa, a beleza de uma noite de lua sem nuvens ou mesmo com as nuvens, seja lá o que for eu acabo não indo dormir mal, bem... na maioria das vezes.

A prova final de que as coisas estão no local errado é quando acordo e continuo chateado, com aquela sensação de que a noite não acabou e que tenho mais quatro segundas-feiras antes das duas segundas do final de semana.

Acreditem se quiserem, descobri depois de uma comedia romântica duas coisas muito importantes, que comedias românticas não ajudam em nada na sua vida e que quando você faz isso as 1h da madrugada termina geralmente as 3h. A grande lição por trás da segunda coisa é claro, é que em toda aquela vontade de entrar na linha eu acabei saindo dos trilhos.

Pensei muito em começar mais um paragrafo usando “Não”, mas isso acabou virando uma marca quando escrevo e parece que o momento de marcas pode ficar para depois, então o próximo paragrafo vai começar com um Nem.

Nem mesmo percebi que enquanto parava de fazer as coisas que gosto para ter o que necessito não fazia realmente nada, nem que essa rota me deixa desconfortável, o problema é que ela é segura de mais (ou de menos), certinha de mais (ou novamente de menos) e bem, demais (exatamente isso) para mim.

Confundi o sentido da vida curta, e para ficar com tudo em dia eu comecei a vender os meus dias, para lá na frente não faltar nada, ridículo pensar que eu iria esquecer fácil à falta que faz hoje, quando chegasse mais adiante, bobeira lembro-me disso todos os dias e fica pior a cada manhã em que acordo, não dormir poderia ser uma solução razoável se não fosse impraticável.

Quase sempre estou cansado, mas cansado do jeito errado, cheio de como as coisas estão e não exausto por ter feito o que gosto, por ter aceitado desafios, por ter lutado ou por ter perdido, tenho voltado um casando derrotado, um tipo vencido e entregue de cara cansado, o que fica mal humorado e demora a dormir.

Tenho deixado a curiosidade de lado, a minha melhor bagagem tenho guardada e embalada, essa falsa motivação completamente desmotivadora não vai levar-me a lugar nenhum tal qual uma ancora, mais fácil que me afunde.

Quero um caminho que presentei o meu presente, não necessito de um grande retorno rápido mais faço questão de pequenas lembranças do que estou construindo, sabe é como quando estou na cozinha, mesmo sabendo que o prato é meu não resisto a provar um pedaço de cada coisa antes de terminar tudo e sentar realmente para comer (acontece geralmente com pão), a razão disso? é simples, gosto de saber como andam as coisas que estou fazendo, fico feliz em perceber que estou em um caminho bom antes de quebrar em uma estrada fechada.

Em resumo, quero diversão no meio disso tudo, decidi ir sorrindo nem que seja das vezes em que me dou mal, quero dormir cansado por ter feito algo que eu realmente gosto e isso inclui assistir filmes bobos, como algumas comedias românticas e escrever para o blog, quero acordar e ir trabalhar e no fim do mês gastar pouco com coisas que valham a pena, chega da economia cinza, quero cor nem que seja uma cor barata e meio desbotada, a minha criatividade costuma ser uma grande restauradora, quero meia risada e uma pausa para cochilar, quero estudar todas aquelas coisa chatas e passar a noite pensando em como por alguma coisa dessas em pratica, quero uma nota que preste na prova, mas quero antes de tudo provar que esse conhecimento me serve de alguma coisa. Quero principalmente cobrir a distância com um companheirismo sem fronteiras, quero passar a certeza que permaneço junto o suficiente para aparecer quando precisam de mim.

Entro na linha fugindo dos trilhos errados que havia pegado, pagando um preço barato na viagem de volta, um grande pacote econômico do meu mau humor, vou deitar como sempre cansado, do contrario isso não seria chamado descanso e o objetivo é acordar renovado.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sem assunto


Ainda que não seja desculpa suficiente para o tempo sem postar, conclui que tornei-me alguém sem assunto, venho ficando cada dia ainda mais desinteressante, tenho tornado-me ausente aos temas que interessam a todos, e o resultado é que fico calado, de boca fechada e letras guardadas.

Abro a boca e fecho em seguida, escrevo e logo apago, nenhuma ideia parece ser adequada e nenhum pensamento bom o bastante para servir de tema. E na falta de um estandarte para travar essa guerra, abandono o campo furtivamente, se veem-me aceno e retiro-me, se indagam-me faço o que fazem as pessoas sem assunto para uma conversa, concordo, sorrio e desconverso, em seguida tal qual os meus vastos argumentos para aquela comunicação, limito-me a sumir.

A impressão que fica, bem pouco importa, ficaria pior se eu ficasse no lugar dela. Ruim é o que me segue, a questão que não se oculta e ecoa nos meus ouvidos, que vem de dentro e pergunta: “O que exatamente que você vem fazendo dos seus dias? O que tem aprendido que não lhe serve nem para uma conversa?” .Trágicas, todas as minhas tentativas de respostas, tão incompletas quanto forjadas, uma junção lúdica e vazia, frutos dos desesperados apelos para o nada.

E passo de verbo em verbo, ando tão vago que ainda mantenho-me no infinitivo: “não discorrer, fingir, silenciar e fugir”.

Na busca por uma solução decidi voltar o caminho, então percebi que fujo de falar de mim, exponho-me tão pouco que não me admira, que eu tenha deixado de ser assunto nas minhas conversas, fechei-me e consegui tão bem que fiquei isolado, belo dia era o rei das respostas curtas e no outro prisioneiro do reino do silencio. Repentinamente do trono ao calabouço, imagino que nem sentava-me assim tão alto sobre o estrado, tão curto que foi o meu tempo de queda.

Uma vez presso e meu próprio cativo, como forma de impor autoridade fiz questão de proibir meu direito de visita, tonei-me esquivo, trabalhei cuidadosamente no meu próprio labirinto para que pudesse esconder-me e não ser perseguido, obra tão bem feita que sinto-me perdido. Quem entra não me encontra e a saída não sei mais onde fica, quando escapo já passei tanto tempo calado que nada mais resta-me a não ser fingir não me importar, dar uma tonalidade de normalidade a essas cena incomum onde discorro comigo o fato de tal qual um rato eu seja acuado belo barulho das conversas, e torne a voltar para o meu esconderijo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Motivos


Pensei em escrever por tantos motivos diferentes nesses últimos dias iguais, me limitei a uma motivação egoísta: Escrever me faz bem. 

Letras após letra eu vou organizando tudo que anda bagunçado dentro da minha cabeça, tudo fica em ordem ao menos no papel seja ele digital ou não, pergunto-me se não seria mais interessante que as coisas continuassem codificadas, ainda que montar esse quebra cabeças seja o meu passatempo favorito. 

Enquanto sigo as pistas, junto os fatos, imagino e testo encaixes, e com algum tempo tudo está claro, junto e firme, é no clarão do último raio de tempestade que eu vejo o que criei e às vezes não tenho vontade de olhar essa imagem, então embaralho tudo como se pudesse esquecer-me do que vi. 

É uma verdade incrivelmente inconveniente o fato de que só percebemos que esquecemos algo quando queríamos lembrar, nunca consegui esquecer algo só porque queria não lembrar, muito pelo contrário a determinação para deixar coisas de lado só as põe mais na nossa frente. 

Nessa tela escura estou ao lado como uma figura esquecida, virei uma espécie de agente do necessário, e o meu salário vem sendo o lento apagar. Eu vou mesclando-me ao fundo, fazendo parte do tudo menos de mim. Apagar em todos os sentidos. Estou sumindo, para onde foram os quilos, os sorrisos, onde estou quando os amigos me procuram? Sou um fantasma na moldura do meu próprio retrato. 

Um pagamento um tanto ingrato, um falir gradativo recebido como quem ganha uma gratificação, venho mostrando gratidão pelos empurrões violentos, agradecendo pelas rasteiras. Dessa maneira eu vou desaparecendo da vida. 

Minha dieta de engolir a verdade dos outros, vai chegar ao ponto de me sufocar. Vão me pintando como vagabundo, o malandro mal intencionado, o grosso, insensível, intrometido, teimoso, invasivo, sou a face e a voz do mentiroso, a descrição de um bandido. 

Quem pegue no pincel que ponha uma nova imagem, que me ponha em outra roupagem, sou o coitado, o esperançoso, determinado, romântico e promissor. Há quem me venha com traços mais sinceros e risque-me a face ilustrando o palhaço, rabiscando o ridículo, tatuando a estupidez em uma grande gravura que caiba em si a parte de mim que se engana, que põe a face na frente do golpe e reage chorando, um desenho que mostre o que venho sofrendo. 
Com delicado pincel cobrem-me o rosto como que com maquiagem e ando constrangido para que a imagem não borre, para que não caia o que me sustenta e eu tombe junto, para que as coisas não saiam do lugar e eu fique exposto e toda essa pintura pesada feita em camadas age como a mais rústica máscara, deixa marcas no que eu realmente tenho para mostrar. 

Do pouco que me restou posso apenas afirmar que: Escrever me faz bem.

domingo, 13 de março de 2011

Entre o píer e o barco.

Para onde vou? Tenho coragem de ir? Queria poder responder a essas perguntas, mas não são essas as perguntas que a vida me fez, ela perguntou e não pela primeira vez: Para onde vocês vão? Até onde vocês têm coragem de ir?

Vim me preparando para adiantar as coisas, tentar sair o mais rápido possível dessa situação toda de sofrer por depender dos outros. Estive calculando, medindo, questionando. Estava acima de tudo me condicionando as mudanças necessárias. Estou largando tudo o que já escrevi, simplesmente não é agora, vou ter que continuar nisso...

O motivo para abandonar o barco longe de ser o fato do casco está comprometido é basicamente que não tenho a ajuda necessária para retirar a ancora, só vou ate onde a corrente de ferro me deixa ir, queria por o pequeno veleiro nas correntes do mar e iniciar uma aventura, a essa altura tenho mesmo é que esperar.

Ando sem perspectiva, não tenho nada com que me importe para atingir no momento, meu único desafio é suportar o tormento de continuar tudo da maneira que está. Pergunto-me em que depositar as esperanças se de nenhuma maneira posso mudar as coisas sozinho, acreditei que estava acompanhado mais percebi que não nesse barco, a distância não é tanta entre o barco e o píer, embora apenas eu esteja preparado para remar.

Com o coração ancorado, nada posso fazer além de entrar no barco remar, remar e remar até que um dia a corrente pare de nos prender e outra corrente nos leve, breve ou brava da vida a correnteza.

Se o que precisa é de certeza, eu já encontrei a minha nova tarefa, vou passar os dias a preparar o barco, ampliar a nossa embarcação na tentativa de que tenha intenção de subir comigo, todos os dias remar para o mar, tentar, tentar e tentar...

sábado, 5 de março de 2011

Baile de mascaras

Quando as coisas começam a perder o sentido é que verdadeiramente começamos a perguntar os motivos pelos quais realizamos, muitas vezes sem pensar com o devido cuidado, algo.

Inegável o impacto causado por essa dura realidade, fica aquela sensação que fomos pessoalmente sabotados, vemos o que desejamos ver, ouvimos o que pretendíamos e acima de tudo falamos e lutamos para defender o que não valia ser defendido. Escolhemos os pesos errados para por do outro lado da balança, desta maneira forçamos o prato a subir e se destacar como se o seu valor fosse realmente alto.

Na hora que tudo isso cai por terra, vamos desmoronamento a baixo junto com os destroços, soterrados na lama, pensando em como tudo isso foi acontecer, como acabamos parando ali, no meio de toda aquela situação.

Em nossa defesa dizemos com demasiada freqüência que ficamos cegos, quando estávamos apenas sentindo o efeito da venda que confortavelmente colocamos diante dos nossos olhos. Confusos quando precisamos não admitir que deixamos de ouvir a voz (ou as vozes em alguns casos) da razão. Agindo desesperadamente quando fazemos algo sem ponderar ao menos pelo tempo necessário para analisar onde as coisas acabariam.

Conservamos o habito de fantasiar as nossas falhas, deixá-las de alguma maneira menos feias, arrumadas, de algum jeito aceitáveis, com um “que” de acidental e inevitável, damos aos seus efeitos um ar de reparável e facilmente superável, abstrairmos ou subtraímos ao máximo a nosso culpa, quando não a transferimos por completo.

Carnaval chegando e logo partindo, ainda assim nos deixando o ano todo em um baile de mascaras sem fim. Onde tudo é festa e folia, as magoas são encerradas toda quarta de cinzas, se brincamos antes estamos apenas fora de época, se passamos da conta é culpa do nosso excesso de energia, se vamos sozinhos é de tanta alegria, se levamos outro pelo nosso caminho é porque contagia. De toda maneira esse bloco vai passar sem nós, o que fica dentro se sente deixado, o que pula fora parece ter se encontrado, não sem dor, não sem espanto, e sim livre.