domingo, 26 de dezembro de 2010

Dinheiro

Ainda que não seja propriamente o dinheiro que indique um norte nas escolhas da vida o mesmo atua como um medidor de riscos, um tipo de termômetro sensível as necessidades da alma, dotado de uma escala precisa e impiedosa, grau a grau traduz a realidade dos nossos empreendimentos, muito embora não signifique nada diante de alguns sentimentos torna viável ou não sensações das mais diversas ou adversas. 

Literalmente moeda de troca para praticamente tudo é também forma de demonstrar o que realmente vale fora do mundo das cifras e cifrões principalmente quando sua quantidade é limitada, e a prata mágica capaz de prover passa de maneira sutil a privar, triste fase ter e não poder comprar, pois o seu montante está destinado ao que o dinheiro não pode pagar, mesmo que as contas continuem a chegar e as somas se resumam a constantes subtrações, a medida dos gastos é só mais uma que cabe no grande espaço do coração. 

Com toda a força é retido e em poucos instantes flui, passa o momento, mantém-se o motivo. Limito-me a olhar o mundo como quem cola o rosto em vitrines e fixar os olhos em etiquetas, nessa faceta quase sempre ponho a mão nos bolsos e conto as minhas pratas, ciente de que o que eu quero a vida não tem para me vender, consciente que e o que eu enxergo jamais outros vão ver com os mesmo olhos, com a mesma fome, com a mesma necessidade, a intensidade apenas eu irei saber. 

Quando não foi para ser, quando não deu para dar, quando não sobrou para não faltar, esteve, estava e talvez não esteja lá. Guardar a dor para fazer sarar, feridas que sei o que as provocou, os machucados que eu procurei que fecham e abrem durante a caminhada, sofrimentos que eu julguei poder suportar. E o pagamento por eles? É de graça, esse é o preço que eu escolhi pagar pelo que eu não posso comprar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Profissional x Pessoal

Será que divaguei quando achei que assim como uma bola esses dois lados eram perfeitamente definidos entre o lado de dentro e o lado de fora?

Acho que não ando completamente errado sobre isso, um belo furo do lado de fora e pronto ficamos de bola murcha, calma qualquer borracheiro amigo pode consertar isso, tapa-se o furo com um abraço até que ele feche por completo, faz-se um curativo e sopram-se belas palavras de conforto, pronto talvez não novo em folha, ao menos pronto pra outra.

E quando você perde o pito? O ar se entra sai, se sai não entra, alguém sopra com força e você se enche de esperança, logo em seguida murcha, vira aquele tipo de pessoa que precisa tá constantemente acompanhada, mais do que isso constantemente amparada, qualquer chute da vida te deforma, não reage, não corre, simplesmente embola desanimado enquanto é empurrado, as pessoas têm medo de te levar para um jogo serio, sabem que vai acabar dando vexame, ainda assim pode chegar o dia em que se ganha um pito novo.

Certas comparações com a bola são um tanto fatais... As vezes se acaba cheio da coisa errada, tudo muito bonito por fora, mas quem pega sente o peso, mesmo que não se entenda muito de bolas, vê-se que tem algo estranho com a sua forma, fora do lugar. Por vezes você tenta esvaziar, pegar um ar puro, mas descobre que seu pito é de mão única, passam-se os dias e você só enche, enche e enche, sabe que um dia vai acabar estourando, nesse dia não vai ter lado perfeitamente definido vai ter pedaços para todo lado.

Encontro-me com o lado profissional furado, com o lado pessoal murcho da coisa certa e enchendo da coisa errada, chutado na lama da minha tristeza onde afundo sem ter para onde vazar tudo isso.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dias

Quando acho que estou correndo...
Tenho que acelerar o passo.
Onde acredito que não tem nada...
É de lá que retiro mais forças.
Sobre as dores a esperança tem um novo gosto
Um novo nome: Esforço!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Saudade

Dedico à minha saudade

Companheira de todas as horas

O prazer de ter saudade de si.

Minha velha saudade já foi criança,

E saudade ela tinha

E saudade agora tem da lembrança,

O doce tempo da sua infância,

Que achava que não ter por algumas horas

Era a máxima ausência, inocência

Admirar o tempo por tão curta freqüência.



Sua adolescência foi uma fase difícil,

Devorava para si os dias, as horas, os minutos

E em segundos os consumia,

E ela ficava satisfeita?

Não e nem poderia.

Acabaria quando?

Nessa época descobri que nunca pararia.



Amava-me, pois lhe alimentava o vicio

Eu desejava, o tempo levava e ela crescia.

Por pura vaidade, rebeldia,

Pensou de si mais que saudade,

Tentou ser solidão e no meio dessa insanidade

Trancafiou-me o coração.



Somente a idade foi capaz

De lhe abrir os olhos

Deu saúde a minha saudade

Uma chave á minha prisão,

Ela tratou de viver as pressas

Sabia que era tarde para uma segunda opinião,

Ficou responsável da mais nobre tarefa:

Contar histórias ao coração.



Essa saudade sem fim que não larga de mim,

Vou ser sempre aquilo em que ela se interessa.

A mais fiel das vontades,

Sempre presente e completamente minha.

Ter saudade da saudade é motivo de alegria.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Provas

Como ando as voltas com elas, achei por bem entrar em detalhes sobre o que penso.

Quem elas aprovam e quem se põe a prova sobre o que?

Tudo são maravilhas quando o resultado delas é positivo, quando a nota é satisfatória vem àquela sensação de que tudo valeu a pena, o alivio de não ter mais que passar por aquele tipo cruel de avaliação, que te deixa sozinho não com um pedaço de papel cheio de questões, mas sim com a verdade, diante de alguém que não tem como mentir para você, pois nessas horas você ainda está escolhendo as desculpas para dar, com desafios que podem determinar se você vai avançar ou terá que voltar para aprender.

Sabe quando você não sabe um assunto ou todo o assunto da prova? Nessas horas ainda assim está passando por outras provas, está provando o impacto das suas escolhas sobre aquele momento. Medindo os prazeres que agora te deixaram naquela situação, isso é quando foram prazeres.

Não sempre, mas algumas vezes coisas ruins nos atrapalham nas provas, nossos motivos não vão mudar o fato que algo no meio de todo o processo deu errado, que você achou errado, planejou errado, foi vitima da coisa errada, pego na hora errada, como se vivêssemos conscientes das horas certas.

Um professor me disse uma vez que não estudamos ou vivemos por momentos, somos e sabemos o que devemos ser e saber todas as horas. Temos que viver preparados para o caminho que escolhemos e não esperando que o caminho se prepare para nós.

Nessas horas de múltiplas provas onde cada uma delas vai te pontuar de maneira diferente. A que você vai entregar ao fiscal vai dizer o que você sabe sobre aquele assunto em particular, a que você enfrenta ao pegar na prova vai dizer o que vem fazendo da sua vida até aquele momento, no instante em que você abaixa a caneta e percebe tudo o que fez ou não fez existe a prova de se modificar para melhor e essa prova nunca acaba.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma conclusão.

Os dias do passado parecem distantes e o presente tão permanente. Somente você justifica os meus suspiros e a minha vontade de melhorar, te encontrar é um marco, um porto seguro nesse oceano de incertezas que é viver, ele é o suficiente para arriscar tudo.

Meu caminho é sem volta pelo simples motivo de não existir razões para voltar a um pretérito borrado e desfocado que é a vida sem você.

O amor não me parece mais abstrato, ele tem a tua forma, tua voz, teu cheiro e teu toque, tem o tamanho desse carinho que eu não consigo medir e a beleza do teu sorriso.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Percebi que...

Não sou dos melhores dançarinos, mas começo a ensaiar passos nessa complicada valsa, tão intima e ao mesmo tempo desconhecida. É como se eu pudesse adivinhar o próximo movimento, o acerto por puro golpe de sorte, ou seja, instinto, talvez já estivesse tudo realmente escrito. 

Contenho-me como se fizesse um seguro, por achar que o salão é efêmero, inseguro; que minha parceira nessa dança seja feita de sonhos e que escape dos meus braços, na densa neblina de duvidas que me assistem bailar.

Assobio, cantarolo, dou pequenos saltos como se a felicidade pudesse no ar me sustentar. Sussurro os meus desejos, enquanto não vejo o teu olhar. Só o meu espelho sabe o que eu almejo te contar; bem não é segredo, se pode intuir, imaginar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Palavras...

Para quem lê ou escreve, algumas palavras parecem ganhar uma estranha importância, muitas vezes maior que o seu próprio significado, quantas vezes não estava em uma leitura e o som que tornava perfeita aquela parte do texto era composto por uma palavra dessas, elas são o coração do trecho em que estão. Amo perdidamente duas palavras com as quais ainda não tinha escrito nada, são elas: Algures e inefável.

Não as escrevi antes por que não me parece certo pôr-las a força em um texto que não foi feito para elas, talvez elas ficassem deslocadas, desfocadas do brilho que naturalmente possuem. Algumas vezes me pergunto se elas se dariam bem no mesmo texto ou se cada uma brilharia separada ao seu momento, freqüentemente me esqueço que as palavras não são descartáveis, que ficarão sempre disponíveis.

Contudo quando me lembro disso começo a pensar que não quero ser um escritor de marcas, como alguns que se tornaram imensamente famosos e suas marcas junto deles, muitos são conhecidos pelas palavras que sempre usam. Não desejo isso para essas palavras. Não seria capaz de torná-las foscas dessa maneira, através desse ato bárbaro de favoritismo ou falta de imaginação.

Temo invariavelmente suprimi-las por insegurança, de não lhes fazer justiça com um bom uso para elas, nesse caso em particular o “diz-me com quem andas e te direi quem tu és” não se aplica. Não é culpa da palavra que eu a tenha terrível mente aprisionado entre companheiras inadequadas e nem essas palavras seriam melhores por tela por perto, seria um simples desperdício, um erro grosseiro, talvez um ato irresponsável de maldade velada, deixar palavras amadas em tão vergonhosa situação.

Algures dentro de mim ainda existe mais desse medo inefável que me rouba momentos de prazer, seja com essas ou outras palavras, talvez um dia eu me torne senhor dos meus temores, visto que hoje já administro timidamente ao menos esse.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Problemas

Quem não os tem? Eles vivem distribuídos na nossa vida às vezes juntos, outras vezes espalhados, muito freqüentemente escondidos atrás dos nossos momentos felizes. Assim como já fui apresentado a pessoas, também já fui apresentado a problemas, em algumas dessas apresentações eles eram meus em outras se tornaram meus, nunca verdadeiramente escapei deles, eles caçam, prendem, mas nem sempre abatem.


Mesmo não sendo o melhor presente para se dá, a problemática do problema implica em dividir pra conquistar, para aliviar, para superar. Alguns problemas são praticamente seres vivos eles nascem, crescem, muitas vezes se reproduzem, então torcemos para que envelheçam e morram logo. Existem problemas sobrenaturais que irracionalmente conseguem levantar do mundo dos mortos e tornar a participar da nossa vida.


O que seria das soluções sem os problemas?  Por vezes procurar uma solução já pode ser a origem de uma nova busca por outra solução, perdi as contas das resoluções fáceis que produziram mais problemas, independentes disso todas as soluções geram satisfação, é com grande felicidade que brindamos durante o funeral de um problema.


Tudo tem sua função e não seria diferente com os problemas, eles são didáticos, professores insubstituíveis da arte de viver, são listas de exercícios vitais para pratica da maravilhosa sensação de superação, são o que nos torna mais fortes, sábios, criativos e ousados.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Observar


Como se uma parede de vidro ou uma janela alta estivesse entre mim e o mundo, esses dias eu fiquei olhando, por vezes com interesse e às vezes sem vontade, mas nenhuma dessas vezes eu fiz mais que fitar.

Dirigi olhares de interesse para quase tudo o que vi, e tentei classificar o que via não como um juiz a julgar alguém e sim como uma criança tentando entender o que observei, ergui e derrubei motivos, causas e possíveis efeitos, tentei ver alem do que os olhos poderiam mostrar, tentei usar outros olhos como quem muda de lugar para consultar a vista de outra janela.

Notei que só fiz mudar o ângulo de observação ou a lente da minha própria janela, nada foi capaz de me fazer usar outra janela senão a minha, jamais terei a visão de outros olhos, por mais detalhes que absorva por mais longe que minha imaginação voe, só verei o que o espelho pode mostrar e o que as palavras inexatas podem definir.

Tenho observado que muitas vezes me comporto como um cego, esperando que as pessoas venham agir como muletas para o meu caminho incerto e que me digam o que eu deveria está vendo.

Hoje percebo que não verei 100% do que elas pretendem me mostrar e que nunca chegarei onde quero se for arrastado por ai, em busca do que os outros vêem.

Parei de usar minha venda, tirei as mãos dos meus olhos e os abri, mesmo que só possa usar uma janela pra ver o mundo quero usá-la para observar o que venho me tornando e por onde estou caminhando.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Popularidade?

Gastei grande parte das minhas belas frases longe das páginas desse blog, hoje o texto é solto e provavelmente não vai ter nada que alguém queira por em nota para dizer a outra pessoa amanhã ou qualquer outro dia.

Talvez nada no blog chegue a ser dito por mais alguém em tempo nenhum. Sobra-me a glória tímida de ter organizado seqüências de palavras que só foram ditas por mim. Um tipo de exclusividade rara, já que estamos vivendo os dias em que até o que é ruim vem sendo copiado, com mais facilidade do que é de fato bom para se copiar.

Nada contra as cópias, se feitas com os devidos créditos. A cópia é aceitação máxima da idéia copiada, já a citação se comporta como uma mãe vigiando o filho de perto, para que ele siga sua vida segundo a maneira como foi criado. Considero belas ambas as formas de reproduzir idéias, mas mantenho maior admiração pelas citações e suas variadas faces: a face boa exalta a idéia mãe e lhe acrescenta; a face crítica é o que discute o que a formou.

Ainda me surpreendo que o que as pessoas andem buscando seja popularidade e não felicidade através da escrita e leitura. É certo que não preencho essas linhas para que elas fiquem em segredo, mas não ergo esse espaço como uma bandeira para que as pessoas possam o encontrar com demasiada facilidade, em parte porque fujo da obrigação de ter que escrever sempre. Vale mais ser achado ao acaso, ser indicado como um remédio ocasional por quem já provou.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Alquimia


Eu achava que por poder amar por dois, seria um tipo de mestre na arte das poções. Olhei o frasco tão vazio desse sentimento, quanto o coração de quem tanto amo. Então destilei o que melhor tinha no meu ser, comprimi naquele minúsculo relicário o sentimento infinito que guardava.

Trabalhava dia e noite a soprar amor em um recipiente e admirava meu esforço em vítrea redoma, era tão puro e belo o que ali continha. Não sabia eu que minha poção possuía uma falha: Era capaz de inspirar o mais sincero amor ate mesmo em uma rocha, mas não era capaz de dizer a um coração de verdade quem ele deveria amar.

E como é dos verdadeiros sentimentos viverem de si e de mais nada, fora a minha poção do amor meu último ato aos olhos dela. Uma vez meu amor em seus lábios: O que lhe dera não fez de mim alguém amado, mas tornou-me permanentemente invisível, era eu fantasma do meu amor, por não saber que ele era indivisível.

O que usei de matéria prima continuava na mesma quantidade dentro de mim, mas não foi amor o que coloquei em um frasco, foi a minha vontade de amar que lá aprisionara, deixara cativo em masmorra cristalina, com o teu nome gravado nela, apenas aquilo que eu queria te ofertar.

domingo, 23 de maio de 2010

O que ando fazendo? – Dormindo.


No dia em que a vi, voltei a sonhar. Quando a conheci melhor passei a querer viver sonhando e dos imaginários encontros que tivemos, quero agora sua parcela real, dessas inúmeras simulações, quero algo nosso e não apenas meu.

Parece inseguro trocar a perfeição dos sonhos pela aspereza da realidade, embora eu deseje determinar quanto dessa paixão que sinto por ela não faz parte da minha vaidade, vivo o terror de temer estilhaçar meu vítreo sonho, quando devagar o libertar das asas do meu sono e o colocar nas tuas mãos. Então saberei se ele repousará ao lado do teu coração ou ira se desfazer após atingir o chão.

E todo esse tempo eu fico preso a minha fantasia, em quanto tento dar vida a uma paixão. Durmo pacientemente esperando o que despertará primeiro: o amor ou a solidão.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ciclo

Há algo de puro
mantendo a ideia
tão pouco é certo
tanto que errei

Hoje sou vacilante
pois ontem tentei
correr hesitante
do que me tornei

Já não há reflexo
que os olhos vejam
sou só uma imagem
no lugar de alguém

Perdi sono e sonho
sobrou me desejos
agora não vejo
por que me deitei

Coisas já esquecidas
me legam saudades
vaguei imaginando
o que nunca lembrei

Juntei meus motivos
com cuidado os somei
de onde um dia sai
foi para lá que voltei

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Infortúnio

Parece que a minha overdose de felicidade me deixou de ressaca, me fez efeito pior enganar a minha tristeza sem lhe resolver as pendências. Com um infalível e impaciente retorno a minha infelicidades resolveu se aninhar mais uma vez na minha vida. Hoje ela está insolúvel, fria e impenetrável como uma rocha. Meu pensamento por dar voltas ao redor dela ficou cáustico. Como um tolo, iludido, eu fiz da minha magoa meu mais precioso tesouro, com medo que alguém me ferisse através dela. Besta vil recoberta de escamas de avaro tornei-me. Mais pareço um dragão a velar minha tristeza. Nesses dias tenebroso uso o meu sopro para incinerar os que adentram meu covil, em busca do meu coração, que uma vez deixado embaixo da pilha de lamentos, esqueci que possuía. Gravo com afiadas garras na pedra fria essas palavras, enquanto finjo que o gotejar constante da minha caverna, não é feito por efeito do rolar das minhas lagrimas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Reflexões de parada

Difícil não pensar na vida quando você fica plantado na parada do ônibus por quase uma hora. No meu caso eu comecei pelo tempo, o meu lindo dia de sol foi nublando aos poucos, então nos primeiros 10 minutos eu tratei de decidir se ia ou não chover ao 15minutos eu já tinha certeza que iria chover, já aos 20minutos eu estava começando a me molhar. Molhado eu comecei a pensar no que me colocou essa manhã naquela parada, era uma manhã de prova, uma prova que eu deveria ter estudado para fazer, me questionei antes de sair de casa se valeria apena ir para uma prova para a qual eu não estudei direito, na verdade não encontrei argumento melhor para me tirar de casa do que “a prova vai ser de X e com muita sorte você passa” agora eu já estava na parada a 25minutos, a prova estava feita e entregue e eu tinha o estranho sorriso daqueles que são recompensados pela sorte, não é certeza que eu passe, mas não foi a pior prova que eu já fiz, acertei bastante para quem não estudou. No final de duas semanas de aula a sorte que me colocou naquela turma foi a mesma que não me deixou na mão hoje, gostaria de contar com ela sempre... Mais acho que isso não passa de um sonho bobo, onde a sorte perderia tanto tempo assim comigo, contudo agradeço ao acaso por mais essa oportunidade de aprendizado. O pensamento agora gira em torno da minha falta de disciplina nos estudos, aos 30 minutos eu percebi que há falta disciplina na verdade em toda a minha vida, eu levo a vida dos desregrados, dos relaxados, dos desajustados e dos apaixonados. Aos 40 mim a falta do ônibus era notável e tomava grande parte do meu tempo, onde eu fiquei numerando causas para toda essa espera. Causas numeradas eu só precisava do ônibus para confirmar alguma ou nenhuma com o cobrador. Aos 50 minutos eu estava farto da minha solidão naquela parada gotejante e comecei a pensar nos meus amigos, mesmo não sendo o ícone da simpatia tenho tanta facilidade para conseguir amigos quanto tenho para perder amores... Como os amores eu sempre perco não fico de todo descontente com essa afirmação já que não me privei por muito tempo de nenhum amigo. Aos 55 minutos estava agradecido por toda essa demora, pela chuva que me fez pensar nas coisas de cabeça fria e pelo ônibus ter finalmente chegado. Da janela eu vi o banco em que estava sentado enquanto esperava e percebi que parar as vezes faz bem, que quando analisamos o que estamos fazendo ganhamos certeza para continuar ou determinação para iniciar no caminho correto.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Telefone


Madrugada mais uma vez. O telefone silenciou. Quantas vezes ele tocou e as palavras que nele troquei não foram as que eu queria usar, das frases que eu ouvi só de algumas delas eu gostaria de lembrar, queria esquecer das vezes em que a ligação deveria ter caído para me impedir de errar e não caiu, queria esquecer das vezes que eu deveria ter discado o teu numero e nada fiz.

Agonia de saber que algum dia, talvez não distante ele volte a tocar, e as frases que eu ensaio noite e dia possam dessa vez se organizar entre o ruído das duvidas, que permeiam a nossa comunicação, onde falo com o cuidado de quem deseja e escuto com a atenção de quem ama. Na espera sempre presente e torturante, da chegada do dia em que deixaremos de guardar palavras. Eu não sabia que quando te confiei esse número, tinha dado uma voz tão difícil para o meu coração seguir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma vez mais vazio

Se antes eu soubesse que eram aquelas palavras que pesavam, teria as escrito o mais rápido possível. Estou tão leve que não consigo ficar triste é como sair do chão e passar a caminhar em nuvens, agora nada parece importante o suficiente para ser considerado como um problema, ter me livrado daquelas palavras que por tanto tempo encarcerei por medo, deixou-me sem temores, com uma estranha sensação de bem estar. Aquela medonha organização de palavras egoístas, que tomavam todo o espaço que eu tinha: falavam de amor, falavam de algo verdadeiro, falavam do que eu me obrigava a sentir, mas eram as palavras erradas, pois falavam de tudo isso e não eram capazes de me convencer a ser feliz, quantas vezes limitei minhas gargalhadas a tímidos sorrisos para que essas palavras não me escapassem, e não derramava lagrimas com medo que essas palavras por elas escorressem, e já não suspirava, pois em mim nada cabia, eu tinha um interior que não estava verdadeiramente preenchido, mas somente cheio no sentido mais informal que essa palavra possa assumir e por estar cheio eu estava desapontado, deprimido, desanimado não havia vazão para o meu descontentamento não sabia eu que uma simples mensagem escrita era capaz de me destituir de tudo isso e quando transcrevia as palavras que antes eu velava elas saiam com batidas, rangeres de dentes, gritos e incontáveis outras maneiras de indignação, quando não restou sequer uma palavra ou ponto em mim, finalmente veio-me as lagrimas e depois delas as gargalhadas. Eu estou feliz por ter tido a oportunidade de me deixar uma vez mais vazio, não é como se os sentimentos escritos não fossem meus, todos o foram, mas deixaram de ser meus para serem dela eu sigo sem nada, sigo sem esperar que eles possam voltar e se voltarem que a fonte deles não se esvazie como aconteceu comigo, com tanto espaço e com a certeza de que ficar no limite da própria capacidade é algo terrível, já não corro para deixar de ficar vazio, eu já não pego nada que eu não possa compartilhar ou que eu não possa doar. Espero viver o resto dos meus dias com a doce possibilidade de poder fazer tudo.

sábado, 17 de abril de 2010

sobre o Som

Seria difícil por nas linhas de um caderno o quanto gostamos das vozes que nunca ouvimos e tão logo seria insípida para a nossa alma todas as melodias que de outra forma aqueceriam nosso coração já que a letra não passa de um poema são as notas que dão o ritmo e a harmonia, seriamos estranhos num mundo feito de sons e é provável que mesmo o silêncio fizesse pouco sentido tendo em vista que está sempre presente... Da mesma maneira nossa capacidade associativa seria igualmente pobre e provavelmente não conseguiríamos expressar com exatidão aquilo que queremos, seria uma escrita deficiente de sons, pois mesmo que falássemos do pássaro só diríamos sua cor, pois não saberíamos seu canto e a ave teria forma mais não teria encanto. Com toda certeza seria uma vida de luz, tendo em vista que o medo estaria no escuro onde os olhos não vêem os gestos, nem as letras podem ser lidas e toda comunicação viria do som que agora é silêncio e estando no meio de todos se está sozinho, sentindo calor ainda se tem da solidão o frio de se estar isolado numa prisão sem fronteiras, onde os outros podem se ouvir livres.

NOTA: esse foi um recado que mandei para uma pessoa a muito tempo, mas como ela me disse que gostou resolvi dividir o texto aqui no blog.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Recorrendo


Estou recorrendo dos antigos julgamentos que me fiz. Não me entenda mal continuo sendo culpado do mesmo crime, só percebi que deveria reavaliar a minha pena, o motivo da revisão? Ineficácia; não estou sendo reabilitado só fiquei isolado, longe das coisas que deveria está amando, quando for realocado na sociedade continuarei condenado, mantendo o mesmo regime a que venho me submetendo. Decidi passar os meus dias aprendendo a ser melhor para as pessoas que amo, além do que descobri que estou entre as pessoas que amo.

sábado, 27 de março de 2010

O que hoje eu sei do antes

Essas linhas não trazem o nome dela mais o traduzem ao menos para a minha linguagem limitada, e não conseguiria falar de mim sem usar palavras ditas por ela e de quem ela falava quando as dizia? Ela falava dela. E tomo suas palavras emprestadas para falar de mim por não ter outra maneira de descrever o meu passado que não existiria sem fazer parte do seu passado, ate onde ela me entendia? Entendia-me ate onde devia e como que por educação deixava-me com esse agradável limite no qual compreendia minha vida ate os limites do meu jardim mental e vivíamos a visitar jardins ela o meu, eu o dela e no costume de não passar deles passamos a falar apenas de grama, rosas e espinhos, assim foi ate que não sabia em que jardim eu estava se no me ou no dela, e se ela me falava de uma rosa eu lhe dizia a cor como se a rosa fosse idéia minha e na minha idéia de rosa se no seu espinho eu me feria era dor e sangue dela que a ponta do espinho tinha; como nós não sabíamos mais quem era o dono do jardim grama, rosa e espinhos eram bens comuns e de um jardim que não era meu colhi sorrisos que não tenho intenção de devolver e todas as rosas que compartilhamos também beberam minhas lagrimas. E por mais cortes que meu jardim pudesse oferecer sua função maior foi criar, inspirar e encantar, as tantas vezes que cai esse jardim foi meu motivo pra levantar, erguia-me por que ela acreditava que nada poderia me manter no chão por muito tempo, a certeza dela logo virava a minha, a transparência erra tanta que bastava um sorriso forçado para que eu sentisse vergonha do que fazia era tão boba minha tentativa de disfarçar felicidade que diante dela por mais dentes que tivesse pra mostrar era como um velho a mostrar-lhe a boca vazia e quando seus sentimentos transbordavam escoavam em mim como uma enchente e logo estávamos num estranho equilíbrio entre os sentimentos dela e os meus e ficávamos nem de todo triste, só meio contentes. Antes o tempo corria em ritmo sempre dobrado hoje anda tão lentamente que desconfio que as vezes permanece parado, quando voltei a viver somente a minha vida percebi que gostava de ter-la dividia se antes não tinha uma vida completa por festejar uma alegria que não era completamente minha, contudo nunca sofri sozinho.

terça-feira, 9 de março de 2010

E quando escolhi esse caminho deveria ter me livrado do coração...


Só sabe como usar alguém aquele que entende como esse alguém funciona... Existem poucas pessoas a quem não entendo e às vezes nem essas me escapam, mais pareço um demônio a envenenar almas, e retiro das pessoas aquilo que não me agrada em seus pensamentos, furtivo como um assassino vivo a matar idéias e conceitos, quando me tornei assim? Quando perdi o habito de conversar e passei a convencer? E o porquê de fazê-lo? Antes o fazia para mostrar que era possível, depois o fazia para tirar vantagem e hoje? Vivo a tentar não fazê-lo, e consigo? Às vezes... Não, hoje desfaleço aos poucos com cada linha de pensamento que mato, e desacredito na originalidade dos sentimentos que desperto, quantos deles não existem unicamente por vontade minha? Maldito e sedutor caminho o que trilho... Tão doce o sabor da vitoria tão triste não ter outra arma, outro método, e vivo sem saber se domino ou se lidero e quantas vezes não soube distinguir se tinha um amigo ou um servo. Tornei-me um inútil por não usar a única coisa que sei fazer “usar” e deixei de conquistar por não querer mais me julgar, quando começaram meus julgamentos? Quando comecei a me condenar? Fui meu juiz, meu júri e meu réu, contra o que me tornei, não tive defesa, ainda lembro o porque adentrei esse tribunal, entrei porque exigia dos amores que tive um amor de verdade, um amor que não fosse duplamente meu e tão somente culpa minha, um que eu não tivesse provocado e sim um que tivesse me escolhido.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um João...

Estava na parada do ônibus com uma pessoa especial, não com necessidades especiais e sim uma pessoa capaz de me livrar de todas as minhas deficiências emocionais, quando vi um homem vendendo sorvetes e picolés, estava fazendo calor e eu comi muito pouco no almoço apressado de ontem, juntando um mais um temos os dois reais que paguei no sorvete, nesse exato momento conheci o João não pelo nome é claro, mais ele estava lá meio silencioso e parado, o motivo de não saber seu nome naquela hora deve ter sido a pressa em subi no ônibus que chegou antes que o sorvete estivesse na metade, subimos os 3: eu, o João e minha maravilhosa companhia, conversei muito com ela e dei pouca atenção ao João por dois motivos o primeiro como disse ele é do tipo silencioso e o segundo motivo é que acho que no momento ele estava prestando mais atenção no sorvete que em mim, chegamos ao terminal e corremos para trocar de condução ia me despedir do João mais ele acabou indo conosco para o segundo ônibus, lá descobri seu nome mais por intuição do que por comunicação, o chamei de João e como ele não protestou imagino que havia acertado, o João é do tipo de frases prontas daquelas que você pode ler logo olhando para ele, não era pobre nem dos mais ricos mais foi criado bem, era centrado em cumprir sua função pós mesmo sem dizer nada me ajudou a consumir o sorvete sem que eu me suja-se e no final aceitou ate guardar a colher de madeira que usei para tomar o sorvete sem protestos, minha amiga me questionou sobre o porque eu insistia em ficar perto do João, eu simplesmente disse que parece que ate aquele momento ele estava indo para o mesmo lugar que nós dois, admiti meio a contra gosto que tinha me afeiçoado ao jeito calado dele, tanto que já lhe sabia o nome, nosso ônibus quebrou sem sequer sair do terminal o que nos obrigou a descer e voltar para a fila, enquanto tomava o caminho da fila decidi por deixar o João seguir seu caminho sem mim o deixei próximo a lixeira não tive exatamente coragem de livrar- me dele de maneira tão vil e sorrateira, preferia que outro o fizesse por mim, alguém que não o conhecesse como eu e que não tivesse passado tanto tempo para se apegar ao jeito simples e objetivo dele, forcei um sorriso e continuei meu caminho ate alcançar minha amiga que no simples ato de existir consolou como pode minha perda, não pude evitar em pensar no João durante a viagem, o que eu fizera dele? O que lhe aconteceria no futuro... Existiria ele os quase 100 anos que sua estrutura prometia? E como seriam esses 100 anos? Quem dele cuidaria todo esse tempo? Seria outro como eu a simplesmente usá-lo? Livrariam se dele como quem se desfaz de lixo, como eu fiz? Eu poderia ter o mantido comigo, ter lhe dado outra função qualquer que aumentasse nosso tempo juntos, ele poderia segurar coisas, pequenas é claro por conta de suas limitações físicas, mesmo assim ele poderia ser um minúsculo baú de tesouros, a final mesmo que ele não tivesse nenhuma nova função e que não guardasse mais nada ainda serviria para lembrar-me da tarde maravilhosa que tive com uma pessoa tão especial ao meu lado, nele eu veria um relicário mesmo que apenas para mim, veria um relicário dos meus bons momentos naquele copinho de sorve a quem dei o nome de João.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

histórias de histórias

Deve existir algo no meu comportamento que inspire confiança ou devo ser um imã para pessoas carentes de uma conversa, independente do motivo sempre acabo sabendo quase tudo da vida de alguém em uma conversa estranhamente natural com uma pessoa que conheci no momento, basta que eu pare em um lugar movimentado e logo se aproxima alguém disposto a falar da vida, pior é que ate gosto disso, sou um eterno apaixonado por histórias, e são muitas as que escuto e das mais variadas fontes o engraçado é que quem as escuta sou eu, com minha face séria, meu olhar distante e minha ausência de sorriso o que resulta em uma expressão de poucos amigos, justo eu que deveria inspirar cautela e provocar distancia sou escolhido para partilhar histórias com um completo estranho, isso me leva a intuir que talvez exista algo em mim que só os outros vejam, que remova minha mascara sem que eu precise retira – lá, como se minha face séria fosse tão transparente quanto as lentes do meu óculos, como se meu olhar distante fosse um convite e os sorrisos que não dei um apelo para serem dados enquanto escuto uma história; Por vezes torno-me ate parte ativa da narração quando minha opinião é pedida e por vezes troco de papel e faço as vezes de narrador por um tempo, destas pessoas que acabei conhecendo bastante de suas vidas, em alguns casos desconheço-lhes ou esqueço o nome, apenas ficam na memória as histórias e quando as conto para mim elas se tornam histórias de histórias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sobre pessoas, pedras e janelas

E o golpe sempre dói mais quando acerta no coração, certas coisas que sequer me incomodariam se vindas de um estranho fazem um grande estrago na minha paz quando são feitas por quem amo é como se uma pedra pequena jogada por qualquer um só atingir-se o muro enquanto certas pessoas dentro do seu jardim com a mesma pedra lhe quebram as janelas; entramos em uma seqüência, primeiro a surpresa, descrença, espanto, dor, decepção, discussão, desconfiança, distância, saudade, duvidas.

Só vale manter dentro do seu muro quem quer dividir o reparo da janela, não faz sentido manter alguém no seu jardim quando ele não liga para as janelas que quebrou, qualquer um é capaz de jogar a pedra, mas pessoas especiais são capazes de reparar janelas mesmo que se cortem para isso.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dilema do espelho


Os desejos não são para mim, falta-me a sabedoria para escolher a coisa certa a se desejar, sobra-me dos antigos desejos a vontade de não os ter desejado, porque não aprendi com os meus tantos erros a desejar coisas mais fáceis, mesmo um simples amor torna-se complexo quando quem o deseja sou eu, hora porque simplesmente amo quem não me ama, hora amo quem não posso amar e hora não amo quem me quer amar, só entende das recusas quem as executa após ter sido por outro recusado, e na mente ecoa os motivos que seu desejo havia ignorado; porque não amar quem diz amar-te? E direi que amo a outra e talvez essa outra viva a amar a outro, direi que vejo que não daria certo e talvez seja isso que escutei de quem amo, ouvirei, direi e agirei como um espelho daquilo que amo enquanto recuso quem me oferece amor e nem nessas horas sinto-me amado, pois justo quando meu amor se faz tristeza do amor de outro produzo tristeza igual, talvez eu não tenha sequer me amado todo esse tempo em que vim desejando amor quando já o tinha em excesso em mim, tão logo não existiriam motivos para que eu a amasse assim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre meus sorrisos incompletos


e mesmo transbordando estou incompleto pessoas essenciais não são substituídas pelo excesso, é um tipo de felicidade triste que da meio sorriso em momentos alegres, um motivo para sorrir é o suficiente para um sorriso, vários motivos levam a vários sorrisos, mas basta que percamos um motivo dos tantos e já não temos o mesmo sorriso de antes e o todo alegre tem uma fração minúscula de infelicidade, motivos para sorrir não são objeto de troca pois entre eles não há equivalência não se troca a saúde por um amigo nem o amigo por um amor.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Alguém tem que se manter inteiro.


Abalos atingem a todos mais alguém tem que se manter inteiro nem que seja por fora, mesmo que tudo esteja prestes a ruir alguém tem que manter as rachaduras no interior, só quem está de pé pode impedir alguém de cair, mesmo que para isso jogue o que sente em um abismo... Descem com grande velocidade alegrias e dores afundam irrecuperáveis na escuridão e o que não titubeia está vazio, vejo e velo sem sequer viver. Erguer às vezes exige largar-se e na queda ver as alegrias que jogou flutuarem como neblina, bater no fundo é tocar todas as dores de uma vez... Sem pausas para gritos... Sem intervalos para lágrimas direto ao fim é sair da margem do que ama e cair no próprio mundo e lá andar séculos em segundos, milênios em minutos eternas horas atemporais a velejar em pensamentos no mar de lamentos que as lágrimas que não chorei formaram não fora mais dentro de mim, a estrela que busco aqui não vou achar para me guiar nesse fúnebre oceano morto em que eu navego, esse escuro céu que como véu esconde minha salvação, abismo acima caminha ela, abismo abaixo vago eu, a esperança é uma sereia que canta ao meu coração para me lançar aos rochedos da minha loucura, pobre dela que é tão sozinha quanto eu e vê no meu fim o seu, tão logo quem amo ameace sua alegria apagar onde eu já não a vejo, sua agonia me perturba e seu pesar é tudo que posso escutar, de agonia se contorce minha sereia ignorada e com urgência sopra-me entranha vontade da minha amada o brilho salvar, e nas asas que não tinha passo a me elevar, tão somente minha sereia sabe que um dia irei voltar, basta que novamente ela recupere o sorriso e a sua luz me esqueça. Dar tudo de si é tornar-se nada por tudo que se ama.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Descrevendo


Sempre achei a descrição algo muito divertido e escolhi uma figura ímpar para descrever, estava no terminal integrado do ônibus quando passei por uma mulher devia ter no máximo 23 e aparentava 21, cabelos que indicavam que um louro havia sido escurecido e que tinham passado atencioso tempo sobre efeito de um aquecedor, o corte parecia ter sido feito por camadas onde a parte superior do cabelo se sobrepunha em volume e em diferença de tamanho da inferior... Cheguei à fila e alguns minutos depois o ônibus chegou ao terminal sem muitas descrições tanto da fila quando do veiculo a final temos que descrever a mulher, para minha surpresa se deslocando sobre um par de tênis brancos ela se dirigiu ao ônibus, sabia que não se sentaria ao meu lado havia dezenas de lugares vagos e algo na postura solitária dela que aguardou o ônibus longe da fila e preferiu subir por ultimo me dizia isso, ela parou exatamente de frente a porta por onde entrou algumas cadeiras a minha frente quase todas vazias, o que me deixo com uma boa visão, prefiro descrevê-la pela ordem inversa do que observei, magra, devia ter 1,65m o seu tênis era completamente branco com alguns detalhes em rosa e a meia era igualmente branca e curta, o que aparecia das pernas indicava cuidado e a pele tinha um tom levemente mais claro que possivelmente indica que andava bastante de calça, usava um shortinho branco que destoava de sua aparência seria como se não pertencesse ao mesmo conjunto e fosse uma peça para amenizar os efeitos do calor ou dar uma idéia de quebra de rotina, carregava uma mochila azul nas costas, vestia uma blusa de mangas curtas classicamente listrada com as cores, vermelho, verde e branco o que me lembrou o navio português Sagres que tinha visitado no inicio da semana, o tom da pele lembrava uma pessoa de origem Lusitânia e os comentários sobre o navio lhe faziam jus, os críticos diziam que “o navio escola Sagres era um dos mais belos do mundo” ela não estava muito longe dos mesmos elogios, tinha seios moderados idéias para o seu corpo nem grandes nem pequenos, não tinha as curvas acentuadas de muitas brasileiras mais era dona de um modesto porem bem desenhado corpo, os braços tinham recebido o tanto de sol que não lhe alcançou as pernas eram de aparência frágil e terminavam em mão delicadas com as unhas a inda a pintar, em fim chegamos ao que mais me chamou atenção voltamos ao seu rosto, com pouca maquiagem um nariz fino, lábios com batom em tom rosado, olhos de um verde claro que miravam o caminho com uma determinação que não demonstrava pressa ou descontentamento levava sobre o cabelo um grande óculos de sol que fazia as vezes de diadema, talvez pudesse servir como forma de punição a quem não lhe agradasse já que era capaz de tirar da nossa vista os belos olhos verdes dela, cada leve respiração sua era capaz de furtar uma de qualquer pessoa que olhasse para ela, um tipo natural de beleza do qual não se pode encarar por muito tempo sem correr o risco de corar e mesmo que pudéssemos registrar suas feições em uma única olhada rápida sempre nos sentíamos tentados a olhar novamente e cada segunda olhada ela retribuía talvez inconscientemente com um pequeno movimento dos lábios que poderia resultar em um sorriso que nunca apareceu. Inevitável que ela seguisse seu caminho e em poucas paradas ela desceu e a viajem tomou o tom normal de sempre com uma pontada de vazio, não foi paixão e sim admiração o que senti, não houve desejo senão de contemplar.