sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um João...

Estava na parada do ônibus com uma pessoa especial, não com necessidades especiais e sim uma pessoa capaz de me livrar de todas as minhas deficiências emocionais, quando vi um homem vendendo sorvetes e picolés, estava fazendo calor e eu comi muito pouco no almoço apressado de ontem, juntando um mais um temos os dois reais que paguei no sorvete, nesse exato momento conheci o João não pelo nome é claro, mais ele estava lá meio silencioso e parado, o motivo de não saber seu nome naquela hora deve ter sido a pressa em subi no ônibus que chegou antes que o sorvete estivesse na metade, subimos os 3: eu, o João e minha maravilhosa companhia, conversei muito com ela e dei pouca atenção ao João por dois motivos o primeiro como disse ele é do tipo silencioso e o segundo motivo é que acho que no momento ele estava prestando mais atenção no sorvete que em mim, chegamos ao terminal e corremos para trocar de condução ia me despedir do João mais ele acabou indo conosco para o segundo ônibus, lá descobri seu nome mais por intuição do que por comunicação, o chamei de João e como ele não protestou imagino que havia acertado, o João é do tipo de frases prontas daquelas que você pode ler logo olhando para ele, não era pobre nem dos mais ricos mais foi criado bem, era centrado em cumprir sua função pós mesmo sem dizer nada me ajudou a consumir o sorvete sem que eu me suja-se e no final aceitou ate guardar a colher de madeira que usei para tomar o sorvete sem protestos, minha amiga me questionou sobre o porque eu insistia em ficar perto do João, eu simplesmente disse que parece que ate aquele momento ele estava indo para o mesmo lugar que nós dois, admiti meio a contra gosto que tinha me afeiçoado ao jeito calado dele, tanto que já lhe sabia o nome, nosso ônibus quebrou sem sequer sair do terminal o que nos obrigou a descer e voltar para a fila, enquanto tomava o caminho da fila decidi por deixar o João seguir seu caminho sem mim o deixei próximo a lixeira não tive exatamente coragem de livrar- me dele de maneira tão vil e sorrateira, preferia que outro o fizesse por mim, alguém que não o conhecesse como eu e que não tivesse passado tanto tempo para se apegar ao jeito simples e objetivo dele, forcei um sorriso e continuei meu caminho ate alcançar minha amiga que no simples ato de existir consolou como pode minha perda, não pude evitar em pensar no João durante a viagem, o que eu fizera dele? O que lhe aconteceria no futuro... Existiria ele os quase 100 anos que sua estrutura prometia? E como seriam esses 100 anos? Quem dele cuidaria todo esse tempo? Seria outro como eu a simplesmente usá-lo? Livrariam se dele como quem se desfaz de lixo, como eu fiz? Eu poderia ter o mantido comigo, ter lhe dado outra função qualquer que aumentasse nosso tempo juntos, ele poderia segurar coisas, pequenas é claro por conta de suas limitações físicas, mesmo assim ele poderia ser um minúsculo baú de tesouros, a final mesmo que ele não tivesse nenhuma nova função e que não guardasse mais nada ainda serviria para lembrar-me da tarde maravilhosa que tive com uma pessoa tão especial ao meu lado, nele eu veria um relicário mesmo que apenas para mim, veria um relicário dos meus bons momentos naquele copinho de sorve a quem dei o nome de João.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

histórias de histórias

Deve existir algo no meu comportamento que inspire confiança ou devo ser um imã para pessoas carentes de uma conversa, independente do motivo sempre acabo sabendo quase tudo da vida de alguém em uma conversa estranhamente natural com uma pessoa que conheci no momento, basta que eu pare em um lugar movimentado e logo se aproxima alguém disposto a falar da vida, pior é que ate gosto disso, sou um eterno apaixonado por histórias, e são muitas as que escuto e das mais variadas fontes o engraçado é que quem as escuta sou eu, com minha face séria, meu olhar distante e minha ausência de sorriso o que resulta em uma expressão de poucos amigos, justo eu que deveria inspirar cautela e provocar distancia sou escolhido para partilhar histórias com um completo estranho, isso me leva a intuir que talvez exista algo em mim que só os outros vejam, que remova minha mascara sem que eu precise retira – lá, como se minha face séria fosse tão transparente quanto as lentes do meu óculos, como se meu olhar distante fosse um convite e os sorrisos que não dei um apelo para serem dados enquanto escuto uma história; Por vezes torno-me ate parte ativa da narração quando minha opinião é pedida e por vezes troco de papel e faço as vezes de narrador por um tempo, destas pessoas que acabei conhecendo bastante de suas vidas, em alguns casos desconheço-lhes ou esqueço o nome, apenas ficam na memória as histórias e quando as conto para mim elas se tornam histórias de histórias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sobre pessoas, pedras e janelas

E o golpe sempre dói mais quando acerta no coração, certas coisas que sequer me incomodariam se vindas de um estranho fazem um grande estrago na minha paz quando são feitas por quem amo é como se uma pedra pequena jogada por qualquer um só atingir-se o muro enquanto certas pessoas dentro do seu jardim com a mesma pedra lhe quebram as janelas; entramos em uma seqüência, primeiro a surpresa, descrença, espanto, dor, decepção, discussão, desconfiança, distância, saudade, duvidas.

Só vale manter dentro do seu muro quem quer dividir o reparo da janela, não faz sentido manter alguém no seu jardim quando ele não liga para as janelas que quebrou, qualquer um é capaz de jogar a pedra, mas pessoas especiais são capazes de reparar janelas mesmo que se cortem para isso.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dilema do espelho


Os desejos não são para mim, falta-me a sabedoria para escolher a coisa certa a se desejar, sobra-me dos antigos desejos a vontade de não os ter desejado, porque não aprendi com os meus tantos erros a desejar coisas mais fáceis, mesmo um simples amor torna-se complexo quando quem o deseja sou eu, hora porque simplesmente amo quem não me ama, hora amo quem não posso amar e hora não amo quem me quer amar, só entende das recusas quem as executa após ter sido por outro recusado, e na mente ecoa os motivos que seu desejo havia ignorado; porque não amar quem diz amar-te? E direi que amo a outra e talvez essa outra viva a amar a outro, direi que vejo que não daria certo e talvez seja isso que escutei de quem amo, ouvirei, direi e agirei como um espelho daquilo que amo enquanto recuso quem me oferece amor e nem nessas horas sinto-me amado, pois justo quando meu amor se faz tristeza do amor de outro produzo tristeza igual, talvez eu não tenha sequer me amado todo esse tempo em que vim desejando amor quando já o tinha em excesso em mim, tão logo não existiriam motivos para que eu a amasse assim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sobre meus sorrisos incompletos


e mesmo transbordando estou incompleto pessoas essenciais não são substituídas pelo excesso, é um tipo de felicidade triste que da meio sorriso em momentos alegres, um motivo para sorrir é o suficiente para um sorriso, vários motivos levam a vários sorrisos, mas basta que percamos um motivo dos tantos e já não temos o mesmo sorriso de antes e o todo alegre tem uma fração minúscula de infelicidade, motivos para sorrir não são objeto de troca pois entre eles não há equivalência não se troca a saúde por um amigo nem o amigo por um amor.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Alguém tem que se manter inteiro.


Abalos atingem a todos mais alguém tem que se manter inteiro nem que seja por fora, mesmo que tudo esteja prestes a ruir alguém tem que manter as rachaduras no interior, só quem está de pé pode impedir alguém de cair, mesmo que para isso jogue o que sente em um abismo... Descem com grande velocidade alegrias e dores afundam irrecuperáveis na escuridão e o que não titubeia está vazio, vejo e velo sem sequer viver. Erguer às vezes exige largar-se e na queda ver as alegrias que jogou flutuarem como neblina, bater no fundo é tocar todas as dores de uma vez... Sem pausas para gritos... Sem intervalos para lágrimas direto ao fim é sair da margem do que ama e cair no próprio mundo e lá andar séculos em segundos, milênios em minutos eternas horas atemporais a velejar em pensamentos no mar de lamentos que as lágrimas que não chorei formaram não fora mais dentro de mim, a estrela que busco aqui não vou achar para me guiar nesse fúnebre oceano morto em que eu navego, esse escuro céu que como véu esconde minha salvação, abismo acima caminha ela, abismo abaixo vago eu, a esperança é uma sereia que canta ao meu coração para me lançar aos rochedos da minha loucura, pobre dela que é tão sozinha quanto eu e vê no meu fim o seu, tão logo quem amo ameace sua alegria apagar onde eu já não a vejo, sua agonia me perturba e seu pesar é tudo que posso escutar, de agonia se contorce minha sereia ignorada e com urgência sopra-me entranha vontade da minha amada o brilho salvar, e nas asas que não tinha passo a me elevar, tão somente minha sereia sabe que um dia irei voltar, basta que novamente ela recupere o sorriso e a sua luz me esqueça. Dar tudo de si é tornar-se nada por tudo que se ama.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Descrevendo


Sempre achei a descrição algo muito divertido e escolhi uma figura ímpar para descrever, estava no terminal integrado do ônibus quando passei por uma mulher devia ter no máximo 23 e aparentava 21, cabelos que indicavam que um louro havia sido escurecido e que tinham passado atencioso tempo sobre efeito de um aquecedor, o corte parecia ter sido feito por camadas onde a parte superior do cabelo se sobrepunha em volume e em diferença de tamanho da inferior... Cheguei à fila e alguns minutos depois o ônibus chegou ao terminal sem muitas descrições tanto da fila quando do veiculo a final temos que descrever a mulher, para minha surpresa se deslocando sobre um par de tênis brancos ela se dirigiu ao ônibus, sabia que não se sentaria ao meu lado havia dezenas de lugares vagos e algo na postura solitária dela que aguardou o ônibus longe da fila e preferiu subir por ultimo me dizia isso, ela parou exatamente de frente a porta por onde entrou algumas cadeiras a minha frente quase todas vazias, o que me deixo com uma boa visão, prefiro descrevê-la pela ordem inversa do que observei, magra, devia ter 1,65m o seu tênis era completamente branco com alguns detalhes em rosa e a meia era igualmente branca e curta, o que aparecia das pernas indicava cuidado e a pele tinha um tom levemente mais claro que possivelmente indica que andava bastante de calça, usava um shortinho branco que destoava de sua aparência seria como se não pertencesse ao mesmo conjunto e fosse uma peça para amenizar os efeitos do calor ou dar uma idéia de quebra de rotina, carregava uma mochila azul nas costas, vestia uma blusa de mangas curtas classicamente listrada com as cores, vermelho, verde e branco o que me lembrou o navio português Sagres que tinha visitado no inicio da semana, o tom da pele lembrava uma pessoa de origem Lusitânia e os comentários sobre o navio lhe faziam jus, os críticos diziam que “o navio escola Sagres era um dos mais belos do mundo” ela não estava muito longe dos mesmos elogios, tinha seios moderados idéias para o seu corpo nem grandes nem pequenos, não tinha as curvas acentuadas de muitas brasileiras mais era dona de um modesto porem bem desenhado corpo, os braços tinham recebido o tanto de sol que não lhe alcançou as pernas eram de aparência frágil e terminavam em mão delicadas com as unhas a inda a pintar, em fim chegamos ao que mais me chamou atenção voltamos ao seu rosto, com pouca maquiagem um nariz fino, lábios com batom em tom rosado, olhos de um verde claro que miravam o caminho com uma determinação que não demonstrava pressa ou descontentamento levava sobre o cabelo um grande óculos de sol que fazia as vezes de diadema, talvez pudesse servir como forma de punição a quem não lhe agradasse já que era capaz de tirar da nossa vista os belos olhos verdes dela, cada leve respiração sua era capaz de furtar uma de qualquer pessoa que olhasse para ela, um tipo natural de beleza do qual não se pode encarar por muito tempo sem correr o risco de corar e mesmo que pudéssemos registrar suas feições em uma única olhada rápida sempre nos sentíamos tentados a olhar novamente e cada segunda olhada ela retribuía talvez inconscientemente com um pequeno movimento dos lábios que poderia resultar em um sorriso que nunca apareceu. Inevitável que ela seguisse seu caminho e em poucas paradas ela desceu e a viajem tomou o tom normal de sempre com uma pontada de vazio, não foi paixão e sim admiração o que senti, não houve desejo senão de contemplar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Reclusão


E do meu cárcere eu vejo

Tudo aquilo que as grades

Não me deixam tocar!

E cumpro pena por meu desejo

E sobre pena te desejo

Quanto tempo o meu sonho

Será capaz de suportar sem romper-se?

Não posso eu trancar meu amor comigo

... Sem aprisioná-la

Não me inquieto por está preso

Agrada-me ser cativo dela

Rasga-me a alma está aprisionado

Entre as grades do que desejo

Enquanto planejo jogar tudo para o alto

Sou esmagado pelo que não vejo

O dever me deixa longe do que almejo

E almejar me leva tão logo ao dever

Entre dilemas se ergue meu drama

E minhas escolhas tecem essa trama

E me aproximo devagar do complexo

Sugerindo soluções rápidas e simples

Serei capaz de dizer a verdade?

Antes de ser levado ao cadafalso

Ensaio todos os dia meu ultimo pedido

E da minha garganta o ar não sair

E desse grito só eu sei o seu sentido

Um grito silencioso e longo

Dado por um coração sufocado

Incapaz de sair e ser ouvido

Vivo agrilhoado ao que estou sentindo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cotidiano I


Bem anteontem percebi que o Brasil tem tudo para ser o país da leitura, passei horas tendo como única distração um livro enquanto tentava retirar um documento em um órgão publico, percebi que nem sempre se pode ter coragem e senti vergonha da covardia [ta bom eu explico], sabe ainda tenho minha visão distorcida do mundo em que vivo e faço o que posso para tentar transformar a minha visão de mundo em realidade. Bem vamos situar você nisso tudo então:

Local: parque de exposição do Cordeiro;

Objetivo: retirada da segunda via da minha identidade [por quê? Porque simplesmente sumiu];

Regras: 70 pessoas atendidas de manhã e 70 à tarde [simples! E mais tarde eu perceberia que era também impiedoso];

Situação problema: eu cheguei lá pela manhã e adivinhe! É acabaram as 70 fichas para a manhã...;

Curso de ação [plano B]: guardar lugar para tarde. Pronto perfeito você está devidamente localizado seguiremos a história.

Distorcendo um pouco a realidade a favor do meu projeto de mundo... Sempre acreditei em certo tipo de cavalheirismo, mulheres obviamente devem ser tratadas da melhor maneira possível, sempre que possível, então aceitei de bom grado deixar que uma bela mulher [calma se ela fosse feia passaria da mesma maneira] passasse na minha frente até porque eu tinha um livro e ela não, eu não sei como ela encarou isso tudo talvez esteja acostumada a ser agrada é uma mulher bonita afinal, talvez seu ar de confusão dissesse que ela não via muita gente educada nos últimos dias ou talvez ela tenha encarado minha atitude como mais um flerte dos tantos que ela deveria receber, me limitei a não trocar mais palavras que o necessário para convence - lá a avançar na minha frente, detesto ser interpretado mal.

Sendo distorcido pela realidade do mundo... Quando todas as fichas estavam esgotadas surgiu uma senhora de idade avançada e todas aquelas coisas que a idade nos impõe como limite de velocidade [andar lento], uma cabeleira prateada e pele ligeiramente desidratada recobrindo ossos com pouco cálcio. Fiquei tentado a oferecer minha ficha para ela, me perguntando se ela não teria uma urgência maior em conseguir um documento, talvez fosse um remédio ou o vencimento de um auxilio do qual dependesse dessa documentação pendente, embora tudo isso passasse na minha cabeça não consegui oferecer minha ficha, apenas fiquei ali com minha covardia no meu mundo cinza de vergonha enquanto ela ia se retirando vagarosamente com um estranho meio sorriso que talvez só o tempo me diga o significado, o que me dava mais tempo ainda para pensar no que não fiz... Talvez eu esperasse que a mulher do balcão fizesse algo por ela ou que outra pessoa desistisse da ficha a favor dela... Ninguém, eu entre eles, eu gostaria de está numa posição mais confortável naquele dia, de não está tão longe de casa, tão cansado e ainda um pouco com fome, gostaria de não tentar empilhar desculpas agora, em fim gostaria de não cometer a mesma falha de caráter. Minha volta para casa foi solitária e as paginas do livro só podiam me oferecer naquela hora não muito mais que uma releitura, percebo hoje que mesmo tendo sido terrível mente impiedoso e mal educado ainda assim egoistamente fiz a escolha correta, tendo em vista que se eu não estivesse em casa ontem acho que ela teria queimado completamente [isso é um outra longa história] e não sei quantos dos meus parentes estariam vivos enquanto eu estaria novamente na fila com um outro livro na mão eu um sorriso que desapareceria igualmente na volta para casa, acho que as pessoas não podem voltar felizes da vida real todos os dias...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sobre amor e rosas


Sempre achei errado falar do amor da mesma maneira... Não uso poemas de outros para falar de um amor que é meu... Mesmo que seja o que outros dizem aquilo que quero dizer... Meu amor é diferente do deles e tenho como obrigação tratá-lo de maneira especial... Tem que ser único em tudo não só nos detalhes... Meu amor não pode ser uma copia ou um empréstimo...

Que as rosas que ofereço carreguem meu amor e que elas não tenham preço, que possa se sentir em seu perfume cada um dos meus suspiros ao vê-las crescer, que cada pétala acaricie tua pele como acariciei a terra para que essas rosas ganhassem vida, que as lagrimas de alegria que venha a derramar por essa lembrança tenham a mesma felicidade que tive ao regar suas raízes, que cada rosa efêmera te confesse o quanto esperou comigo para está contigo, que dos mesmos galhos que recolhi essas rosas nasçam outras e que cada uma mostre o quanto de cuidado merece o meu amor, que transpareça em todas elas o carinho com que cultivo motivos para te ver sorrir.

Com o mesmo sentimento com que plantei essa roseira em minha vida não ouso desvirtuar meu amor com rosa alguma que não tenha brotado dela... Não ofereço rosas plantadas com o amor de outro para um amor que é meu. Que eu seja tudo que precisas... Que o meu amor seja sempre a origem do teu sorriso.