quarta-feira, 28 de abril de 2010

Reflexões de parada

Difícil não pensar na vida quando você fica plantado na parada do ônibus por quase uma hora. No meu caso eu comecei pelo tempo, o meu lindo dia de sol foi nublando aos poucos, então nos primeiros 10 minutos eu tratei de decidir se ia ou não chover ao 15minutos eu já tinha certeza que iria chover, já aos 20minutos eu estava começando a me molhar. Molhado eu comecei a pensar no que me colocou essa manhã naquela parada, era uma manhã de prova, uma prova que eu deveria ter estudado para fazer, me questionei antes de sair de casa se valeria apena ir para uma prova para a qual eu não estudei direito, na verdade não encontrei argumento melhor para me tirar de casa do que “a prova vai ser de X e com muita sorte você passa” agora eu já estava na parada a 25minutos, a prova estava feita e entregue e eu tinha o estranho sorriso daqueles que são recompensados pela sorte, não é certeza que eu passe, mas não foi a pior prova que eu já fiz, acertei bastante para quem não estudou. No final de duas semanas de aula a sorte que me colocou naquela turma foi a mesma que não me deixou na mão hoje, gostaria de contar com ela sempre... Mais acho que isso não passa de um sonho bobo, onde a sorte perderia tanto tempo assim comigo, contudo agradeço ao acaso por mais essa oportunidade de aprendizado. O pensamento agora gira em torno da minha falta de disciplina nos estudos, aos 30 minutos eu percebi que há falta disciplina na verdade em toda a minha vida, eu levo a vida dos desregrados, dos relaxados, dos desajustados e dos apaixonados. Aos 40 mim a falta do ônibus era notável e tomava grande parte do meu tempo, onde eu fiquei numerando causas para toda essa espera. Causas numeradas eu só precisava do ônibus para confirmar alguma ou nenhuma com o cobrador. Aos 50 minutos eu estava farto da minha solidão naquela parada gotejante e comecei a pensar nos meus amigos, mesmo não sendo o ícone da simpatia tenho tanta facilidade para conseguir amigos quanto tenho para perder amores... Como os amores eu sempre perco não fico de todo descontente com essa afirmação já que não me privei por muito tempo de nenhum amigo. Aos 55 minutos estava agradecido por toda essa demora, pela chuva que me fez pensar nas coisas de cabeça fria e pelo ônibus ter finalmente chegado. Da janela eu vi o banco em que estava sentado enquanto esperava e percebi que parar as vezes faz bem, que quando analisamos o que estamos fazendo ganhamos certeza para continuar ou determinação para iniciar no caminho correto.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Telefone


Madrugada mais uma vez. O telefone silenciou. Quantas vezes ele tocou e as palavras que nele troquei não foram as que eu queria usar, das frases que eu ouvi só de algumas delas eu gostaria de lembrar, queria esquecer das vezes em que a ligação deveria ter caído para me impedir de errar e não caiu, queria esquecer das vezes que eu deveria ter discado o teu numero e nada fiz.

Agonia de saber que algum dia, talvez não distante ele volte a tocar, e as frases que eu ensaio noite e dia possam dessa vez se organizar entre o ruído das duvidas, que permeiam a nossa comunicação, onde falo com o cuidado de quem deseja e escuto com a atenção de quem ama. Na espera sempre presente e torturante, da chegada do dia em que deixaremos de guardar palavras. Eu não sabia que quando te confiei esse número, tinha dado uma voz tão difícil para o meu coração seguir.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma vez mais vazio

Se antes eu soubesse que eram aquelas palavras que pesavam, teria as escrito o mais rápido possível. Estou tão leve que não consigo ficar triste é como sair do chão e passar a caminhar em nuvens, agora nada parece importante o suficiente para ser considerado como um problema, ter me livrado daquelas palavras que por tanto tempo encarcerei por medo, deixou-me sem temores, com uma estranha sensação de bem estar. Aquela medonha organização de palavras egoístas, que tomavam todo o espaço que eu tinha: falavam de amor, falavam de algo verdadeiro, falavam do que eu me obrigava a sentir, mas eram as palavras erradas, pois falavam de tudo isso e não eram capazes de me convencer a ser feliz, quantas vezes limitei minhas gargalhadas a tímidos sorrisos para que essas palavras não me escapassem, e não derramava lagrimas com medo que essas palavras por elas escorressem, e já não suspirava, pois em mim nada cabia, eu tinha um interior que não estava verdadeiramente preenchido, mas somente cheio no sentido mais informal que essa palavra possa assumir e por estar cheio eu estava desapontado, deprimido, desanimado não havia vazão para o meu descontentamento não sabia eu que uma simples mensagem escrita era capaz de me destituir de tudo isso e quando transcrevia as palavras que antes eu velava elas saiam com batidas, rangeres de dentes, gritos e incontáveis outras maneiras de indignação, quando não restou sequer uma palavra ou ponto em mim, finalmente veio-me as lagrimas e depois delas as gargalhadas. Eu estou feliz por ter tido a oportunidade de me deixar uma vez mais vazio, não é como se os sentimentos escritos não fossem meus, todos o foram, mas deixaram de ser meus para serem dela eu sigo sem nada, sigo sem esperar que eles possam voltar e se voltarem que a fonte deles não se esvazie como aconteceu comigo, com tanto espaço e com a certeza de que ficar no limite da própria capacidade é algo terrível, já não corro para deixar de ficar vazio, eu já não pego nada que eu não possa compartilhar ou que eu não possa doar. Espero viver o resto dos meus dias com a doce possibilidade de poder fazer tudo.

sábado, 17 de abril de 2010

sobre o Som

Seria difícil por nas linhas de um caderno o quanto gostamos das vozes que nunca ouvimos e tão logo seria insípida para a nossa alma todas as melodias que de outra forma aqueceriam nosso coração já que a letra não passa de um poema são as notas que dão o ritmo e a harmonia, seriamos estranhos num mundo feito de sons e é provável que mesmo o silêncio fizesse pouco sentido tendo em vista que está sempre presente... Da mesma maneira nossa capacidade associativa seria igualmente pobre e provavelmente não conseguiríamos expressar com exatidão aquilo que queremos, seria uma escrita deficiente de sons, pois mesmo que falássemos do pássaro só diríamos sua cor, pois não saberíamos seu canto e a ave teria forma mais não teria encanto. Com toda certeza seria uma vida de luz, tendo em vista que o medo estaria no escuro onde os olhos não vêem os gestos, nem as letras podem ser lidas e toda comunicação viria do som que agora é silêncio e estando no meio de todos se está sozinho, sentindo calor ainda se tem da solidão o frio de se estar isolado numa prisão sem fronteiras, onde os outros podem se ouvir livres.

NOTA: esse foi um recado que mandei para uma pessoa a muito tempo, mas como ela me disse que gostou resolvi dividir o texto aqui no blog.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Recorrendo


Estou recorrendo dos antigos julgamentos que me fiz. Não me entenda mal continuo sendo culpado do mesmo crime, só percebi que deveria reavaliar a minha pena, o motivo da revisão? Ineficácia; não estou sendo reabilitado só fiquei isolado, longe das coisas que deveria está amando, quando for realocado na sociedade continuarei condenado, mantendo o mesmo regime a que venho me submetendo. Decidi passar os meus dias aprendendo a ser melhor para as pessoas que amo, além do que descobri que estou entre as pessoas que amo.