domingo, 23 de maio de 2010

O que ando fazendo? – Dormindo.


No dia em que a vi, voltei a sonhar. Quando a conheci melhor passei a querer viver sonhando e dos imaginários encontros que tivemos, quero agora sua parcela real, dessas inúmeras simulações, quero algo nosso e não apenas meu.

Parece inseguro trocar a perfeição dos sonhos pela aspereza da realidade, embora eu deseje determinar quanto dessa paixão que sinto por ela não faz parte da minha vaidade, vivo o terror de temer estilhaçar meu vítreo sonho, quando devagar o libertar das asas do meu sono e o colocar nas tuas mãos. Então saberei se ele repousará ao lado do teu coração ou ira se desfazer após atingir o chão.

E todo esse tempo eu fico preso a minha fantasia, em quanto tento dar vida a uma paixão. Durmo pacientemente esperando o que despertará primeiro: o amor ou a solidão.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ciclo

Há algo de puro
mantendo a ideia
tão pouco é certo
tanto que errei

Hoje sou vacilante
pois ontem tentei
correr hesitante
do que me tornei

Já não há reflexo
que os olhos vejam
sou só uma imagem
no lugar de alguém

Perdi sono e sonho
sobrou me desejos
agora não vejo
por que me deitei

Coisas já esquecidas
me legam saudades
vaguei imaginando
o que nunca lembrei

Juntei meus motivos
com cuidado os somei
de onde um dia sai
foi para lá que voltei

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Infortúnio

Parece que a minha overdose de felicidade me deixou de ressaca, me fez efeito pior enganar a minha tristeza sem lhe resolver as pendências. Com um infalível e impaciente retorno a minha infelicidades resolveu se aninhar mais uma vez na minha vida. Hoje ela está insolúvel, fria e impenetrável como uma rocha. Meu pensamento por dar voltas ao redor dela ficou cáustico. Como um tolo, iludido, eu fiz da minha magoa meu mais precioso tesouro, com medo que alguém me ferisse através dela. Besta vil recoberta de escamas de avaro tornei-me. Mais pareço um dragão a velar minha tristeza. Nesses dias tenebroso uso o meu sopro para incinerar os que adentram meu covil, em busca do meu coração, que uma vez deixado embaixo da pilha de lamentos, esqueci que possuía. Gravo com afiadas garras na pedra fria essas palavras, enquanto finjo que o gotejar constante da minha caverna, não é feito por efeito do rolar das minhas lagrimas.