quarta-feira, 16 de junho de 2010

Alquimia


Eu achava que por poder amar por dois, seria um tipo de mestre na arte das poções. Olhei o frasco tão vazio desse sentimento, quanto o coração de quem tanto amo. Então destilei o que melhor tinha no meu ser, comprimi naquele minúsculo relicário o sentimento infinito que guardava.

Trabalhava dia e noite a soprar amor em um recipiente e admirava meu esforço em vítrea redoma, era tão puro e belo o que ali continha. Não sabia eu que minha poção possuía uma falha: Era capaz de inspirar o mais sincero amor ate mesmo em uma rocha, mas não era capaz de dizer a um coração de verdade quem ele deveria amar.

E como é dos verdadeiros sentimentos viverem de si e de mais nada, fora a minha poção do amor meu último ato aos olhos dela. Uma vez meu amor em seus lábios: O que lhe dera não fez de mim alguém amado, mas tornou-me permanentemente invisível, era eu fantasma do meu amor, por não saber que ele era indivisível.

O que usei de matéria prima continuava na mesma quantidade dentro de mim, mas não foi amor o que coloquei em um frasco, foi a minha vontade de amar que lá aprisionara, deixara cativo em masmorra cristalina, com o teu nome gravado nela, apenas aquilo que eu queria te ofertar.