quarta-feira, 28 de julho de 2010

Palavras...

Para quem lê ou escreve, algumas palavras parecem ganhar uma estranha importância, muitas vezes maior que o seu próprio significado, quantas vezes não estava em uma leitura e o som que tornava perfeita aquela parte do texto era composto por uma palavra dessas, elas são o coração do trecho em que estão. Amo perdidamente duas palavras com as quais ainda não tinha escrito nada, são elas: Algures e inefável.

Não as escrevi antes por que não me parece certo pôr-las a força em um texto que não foi feito para elas, talvez elas ficassem deslocadas, desfocadas do brilho que naturalmente possuem. Algumas vezes me pergunto se elas se dariam bem no mesmo texto ou se cada uma brilharia separada ao seu momento, freqüentemente me esqueço que as palavras não são descartáveis, que ficarão sempre disponíveis.

Contudo quando me lembro disso começo a pensar que não quero ser um escritor de marcas, como alguns que se tornaram imensamente famosos e suas marcas junto deles, muitos são conhecidos pelas palavras que sempre usam. Não desejo isso para essas palavras. Não seria capaz de torná-las foscas dessa maneira, através desse ato bárbaro de favoritismo ou falta de imaginação.

Temo invariavelmente suprimi-las por insegurança, de não lhes fazer justiça com um bom uso para elas, nesse caso em particular o “diz-me com quem andas e te direi quem tu és” não se aplica. Não é culpa da palavra que eu a tenha terrível mente aprisionado entre companheiras inadequadas e nem essas palavras seriam melhores por tela por perto, seria um simples desperdício, um erro grosseiro, talvez um ato irresponsável de maldade velada, deixar palavras amadas em tão vergonhosa situação.

Algures dentro de mim ainda existe mais desse medo inefável que me rouba momentos de prazer, seja com essas ou outras palavras, talvez um dia eu me torne senhor dos meus temores, visto que hoje já administro timidamente ao menos esse.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Problemas

Quem não os tem? Eles vivem distribuídos na nossa vida às vezes juntos, outras vezes espalhados, muito freqüentemente escondidos atrás dos nossos momentos felizes. Assim como já fui apresentado a pessoas, também já fui apresentado a problemas, em algumas dessas apresentações eles eram meus em outras se tornaram meus, nunca verdadeiramente escapei deles, eles caçam, prendem, mas nem sempre abatem.


Mesmo não sendo o melhor presente para se dá, a problemática do problema implica em dividir pra conquistar, para aliviar, para superar. Alguns problemas são praticamente seres vivos eles nascem, crescem, muitas vezes se reproduzem, então torcemos para que envelheçam e morram logo. Existem problemas sobrenaturais que irracionalmente conseguem levantar do mundo dos mortos e tornar a participar da nossa vida.


O que seria das soluções sem os problemas?  Por vezes procurar uma solução já pode ser a origem de uma nova busca por outra solução, perdi as contas das resoluções fáceis que produziram mais problemas, independentes disso todas as soluções geram satisfação, é com grande felicidade que brindamos durante o funeral de um problema.


Tudo tem sua função e não seria diferente com os problemas, eles são didáticos, professores insubstituíveis da arte de viver, são listas de exercícios vitais para pratica da maravilhosa sensação de superação, são o que nos torna mais fortes, sábios, criativos e ousados.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Observar


Como se uma parede de vidro ou uma janela alta estivesse entre mim e o mundo, esses dias eu fiquei olhando, por vezes com interesse e às vezes sem vontade, mas nenhuma dessas vezes eu fiz mais que fitar.

Dirigi olhares de interesse para quase tudo o que vi, e tentei classificar o que via não como um juiz a julgar alguém e sim como uma criança tentando entender o que observei, ergui e derrubei motivos, causas e possíveis efeitos, tentei ver alem do que os olhos poderiam mostrar, tentei usar outros olhos como quem muda de lugar para consultar a vista de outra janela.

Notei que só fiz mudar o ângulo de observação ou a lente da minha própria janela, nada foi capaz de me fazer usar outra janela senão a minha, jamais terei a visão de outros olhos, por mais detalhes que absorva por mais longe que minha imaginação voe, só verei o que o espelho pode mostrar e o que as palavras inexatas podem definir.

Tenho observado que muitas vezes me comporto como um cego, esperando que as pessoas venham agir como muletas para o meu caminho incerto e que me digam o que eu deveria está vendo.

Hoje percebo que não verei 100% do que elas pretendem me mostrar e que nunca chegarei onde quero se for arrastado por ai, em busca do que os outros vêem.

Parei de usar minha venda, tirei as mãos dos meus olhos e os abri, mesmo que só possa usar uma janela pra ver o mundo quero usá-la para observar o que venho me tornando e por onde estou caminhando.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Popularidade?

Gastei grande parte das minhas belas frases longe das páginas desse blog, hoje o texto é solto e provavelmente não vai ter nada que alguém queira por em nota para dizer a outra pessoa amanhã ou qualquer outro dia.

Talvez nada no blog chegue a ser dito por mais alguém em tempo nenhum. Sobra-me a glória tímida de ter organizado seqüências de palavras que só foram ditas por mim. Um tipo de exclusividade rara, já que estamos vivendo os dias em que até o que é ruim vem sendo copiado, com mais facilidade do que é de fato bom para se copiar.

Nada contra as cópias, se feitas com os devidos créditos. A cópia é aceitação máxima da idéia copiada, já a citação se comporta como uma mãe vigiando o filho de perto, para que ele siga sua vida segundo a maneira como foi criado. Considero belas ambas as formas de reproduzir idéias, mas mantenho maior admiração pelas citações e suas variadas faces: a face boa exalta a idéia mãe e lhe acrescenta; a face crítica é o que discute o que a formou.

Ainda me surpreendo que o que as pessoas andem buscando seja popularidade e não felicidade através da escrita e leitura. É certo que não preencho essas linhas para que elas fiquem em segredo, mas não ergo esse espaço como uma bandeira para que as pessoas possam o encontrar com demasiada facilidade, em parte porque fujo da obrigação de ter que escrever sempre. Vale mais ser achado ao acaso, ser indicado como um remédio ocasional por quem já provou.