domingo, 26 de dezembro de 2010

Dinheiro

Ainda que não seja propriamente o dinheiro que indique um norte nas escolhas da vida o mesmo atua como um medidor de riscos, um tipo de termômetro sensível as necessidades da alma, dotado de uma escala precisa e impiedosa, grau a grau traduz a realidade dos nossos empreendimentos, muito embora não signifique nada diante de alguns sentimentos torna viável ou não sensações das mais diversas ou adversas. 

Literalmente moeda de troca para praticamente tudo é também forma de demonstrar o que realmente vale fora do mundo das cifras e cifrões principalmente quando sua quantidade é limitada, e a prata mágica capaz de prover passa de maneira sutil a privar, triste fase ter e não poder comprar, pois o seu montante está destinado ao que o dinheiro não pode pagar, mesmo que as contas continuem a chegar e as somas se resumam a constantes subtrações, a medida dos gastos é só mais uma que cabe no grande espaço do coração. 

Com toda a força é retido e em poucos instantes flui, passa o momento, mantém-se o motivo. Limito-me a olhar o mundo como quem cola o rosto em vitrines e fixar os olhos em etiquetas, nessa faceta quase sempre ponho a mão nos bolsos e conto as minhas pratas, ciente de que o que eu quero a vida não tem para me vender, consciente que e o que eu enxergo jamais outros vão ver com os mesmo olhos, com a mesma fome, com a mesma necessidade, a intensidade apenas eu irei saber. 

Quando não foi para ser, quando não deu para dar, quando não sobrou para não faltar, esteve, estava e talvez não esteja lá. Guardar a dor para fazer sarar, feridas que sei o que as provocou, os machucados que eu procurei que fecham e abrem durante a caminhada, sofrimentos que eu julguei poder suportar. E o pagamento por eles? É de graça, esse é o preço que eu escolhi pagar pelo que eu não posso comprar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Profissional x Pessoal

Será que divaguei quando achei que assim como uma bola esses dois lados eram perfeitamente definidos entre o lado de dentro e o lado de fora?

Acho que não ando completamente errado sobre isso, um belo furo do lado de fora e pronto ficamos de bola murcha, calma qualquer borracheiro amigo pode consertar isso, tapa-se o furo com um abraço até que ele feche por completo, faz-se um curativo e sopram-se belas palavras de conforto, pronto talvez não novo em folha, ao menos pronto pra outra.

E quando você perde o pito? O ar se entra sai, se sai não entra, alguém sopra com força e você se enche de esperança, logo em seguida murcha, vira aquele tipo de pessoa que precisa tá constantemente acompanhada, mais do que isso constantemente amparada, qualquer chute da vida te deforma, não reage, não corre, simplesmente embola desanimado enquanto é empurrado, as pessoas têm medo de te levar para um jogo serio, sabem que vai acabar dando vexame, ainda assim pode chegar o dia em que se ganha um pito novo.

Certas comparações com a bola são um tanto fatais... As vezes se acaba cheio da coisa errada, tudo muito bonito por fora, mas quem pega sente o peso, mesmo que não se entenda muito de bolas, vê-se que tem algo estranho com a sua forma, fora do lugar. Por vezes você tenta esvaziar, pegar um ar puro, mas descobre que seu pito é de mão única, passam-se os dias e você só enche, enche e enche, sabe que um dia vai acabar estourando, nesse dia não vai ter lado perfeitamente definido vai ter pedaços para todo lado.

Encontro-me com o lado profissional furado, com o lado pessoal murcho da coisa certa e enchendo da coisa errada, chutado na lama da minha tristeza onde afundo sem ter para onde vazar tudo isso.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dias

Quando acho que estou correndo...
Tenho que acelerar o passo.
Onde acredito que não tem nada...
É de lá que retiro mais forças.
Sobre as dores a esperança tem um novo gosto
Um novo nome: Esforço!