terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Algumas vezes

Queria algo que desse uma volta
E me deixasse no mesmo ponto
No lugar em que me encontro
Só que antes de ter saído.

Queria poder pagar o resgate
Sem ter que negociar a liberdade
Refém das minhas necessidades
Eu preferiria não ter a chave

Queria traçar uma rota de fuga
Eleger um pequeno esconderijo
Trancafiar longe de mim
Aparte que é como um abismo

Queria não ouvi seu sussurro
Desejei não temer o seu uivo
Protestei a cada passo forçado
Imaginando o ultimo instante

Ainda são frágeis meus argumentos
São os mais selvagens os meus apelos
Escorrem aos montes os meus segredos
Tudo se esvai no meu esvaziar

Por vezes momentos de paz
Só queria deles um pouco mais
Segundos sublimes ao seu tempo
Passando por mim, em pensamento.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Comparação boba I


Às vezes me pergunto por que as pessoas vão aos parques de diversão passear em brinquedos quando possuem o transporte público bem pertinho, lá tem filas para entrar e muitas vezes acabamos tendo que esperar para ir no próximo carrinho, conferencia e compra de bilhetes, o brinquedo tem hora pra chegar e sempre vai dar mais uma volta igualzinha a anterior, mesmo que nem todos respeitem tem limite de usuários e os idosos sobem de graça. 

Pode provocar as mais variadas emoções que vão desde os passeios panorâmicos, bem mais proveitosos do que os das rodas gigantes e sua visão estática, ao emocionante sobe, desce e chacoalha, de tirar você do acento em uma lombada ou curva, que uma montanha russa nunca vai ser capaz de reproduzir com tanta intensidade. 

Tem trilha sonora, pessoas vendendo pipoca, doces ou água, tem caraoquê, da pra ir com os amigos ou com a namorada, provoca risadas, guarda sempre uma nova surpresa, vai parar quando você pedir pra sair ou quando alguém pedir para entrar e brincar junto. Funciona em dia de chuva, onde é muito procurado, e o mais importante se você escolheu direito ele ainda pode no final de toda essa diversão te deixar perto de casa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Papo de calçada

Pude matar a saudade da conversa tranqüila e despreocupada onde apenas o horário poderia de alguma forma incomodar os participantes, o papo nem sempre cabeça e nem totalmente sem proveito, do nosso jeito simplesmente essencial, no meio de todos e particularmente entre nós, uma sociedade secreta formada por discretos votos de companheirismo.

O belo tema quase sempre é o passado onde estão veladas as mais belas das nossas histórias compartilhadas, tardes como aquelas, como essa e como as que virão. Fazem sentido juntas ou dispersas, intimamente ligadas pelo mesmo cordão de mãos. A louvável capacidade de rir da mesma cena por anos, os mistérios que não se explicam com a experiência e a boba carência de relembrar o que foi doce.

Esconder o que passou não adianta, há sempre quem possa contar o que aconteceu. Somos tão impotentes quanto à transparência do nosso passado, nossas falhas já não mais tão graves, as faltas que já foram perdoadas, as feridas que não deixaram mais do que uma leve pele mais clara de onde você sabe que um dia saiu tanto sangue. Unidos como uma família ainda que carreguemos a aparência de uma simples gangue, malfeitores dos próprios caminhos, redimidos pelas mais diversas punições.

E como detentores de um espelho mágico, remontamos o que vivemos, comparamos com o que sonhávamos, justificamos com as desculpas que com o tempo juntamos, agrupamos e sobrepomos vidas, rastreamos cada pista deixada por quem já não vemos e recriamos como podemos uma imagem do que nos restou, de teoria em teoria um vê todos mesmo não vendo tudo.

Tarde para relembrar quando já foi tarde, uma calçada de frente para rua do nosso presente e nós ausentes a comentar sobre o pretérito, o nosso mérito é ver a noite chegar e com o mais belos dos sorrisos depois dos abraços e alguns apertos de mãos, voltarmos para casa, para rotina e vamos da nossa maneira produzir mais histórias para compartilhar.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Litoral

Onde estava à tranqüilidade, a calma de que eu tanto falava? Eu a perdi durante alguns dias, eu fiquei nervoso ao ver o tamanho das ondas como se aquelas gigantescas formações de problemas fossem capazes de me afogar, as encarei como um menino que não sabendo da natureza delas esqueci completamente que quebravam e chegavam minúsculas na praia, não recordei que era apenas me preparar para elas, e que se não desse pra ficar longe, passar por baixo não me faria nenhum mal, agi como se não as tivesse visto se formarem e não soubesse como as interromper.

Fiquei com medo de acabar com os braços e pernas cansados e não poder nadar, esquecendo que boiar não exige força e sim tranqüilidade, achei que faltaria tempo, sem perceber o tanto que já construí com o tempo que tive, a enorme distancia que eu via a correnteza da vida pode encurtar.

Senti o vento soprar forte e frio enquanto o horizonte escurecia, pensei na chuva ignorando de maneira distraída que tenho abrigos para ver a tempestade passar. É fato que muitas vezes os problemas são gigantescos, embora eu tenha mais uma vez esquecido a lição que é verdadeiramente importante: somos do tamanho ideal para lutar pelo que desejamos.

Essa faixa de terra em que estou agora, parece ser um bom lugar para descansar das velhas e novas preocupações, um pouco de sombra para nessas férias aproveitar a praia e o mar.