terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Fractal



Padrões, “repetindo” é meio que assim que poderia definir parte da minha vida, sempre a mesma coisa a ser sucedida por ela mesma, um ciclo complexo e perfeitamente detectável, embora nem sempre seja fácil de diferenciar quando sai de um e entrei em outro, contudo por vezes a forma com que as coisas se apresentam mude de escala, cor ou intensidade, ainda assim pode se intuir a similaridade.

Quase sempre canso de ver a vida dessa maneira e desanimo um pouco, mudo sensivelmente ou drasticamente a rotina e depois de um tempo vem o mesmo desanimo, queria que essa mesmice fosse ao menos tão regular assim com os momentos felizes, talvez não seja desse jeito para que eu não desanime de buscar a felicidade de maneiras diferentes, em lugares distantes ou a reavaliar o que me deixa contente.

Engraçado que ate a imaginação parece seguir nessa mesma linha, por mais que eu extrapole a minha realidade [por vezes desafiando a própria sanidade] ainda assim só faço traçar a mesma figura e ainda borro minha gravura nos mesmos locais, seja: grande, pequena ou esteja caprichosamente disfarçada, no fim das contas ela está lá.

Copiosamente me importo com as mesmas coisas embora por fases me dedique em proporções diferentes a cada uma, o importante é sempre importante seja para continuar assim ou para ser lembrado de se evitar. Por ter nascido procurando mudanças é que vivo fadado a querer mudar, em não parecer em nada com o que era antes é que me assemelho no meu distanciar, a parte que conservo é justamente o que não consigo adequar, é o eu em meio a todas as adições positivas ou negativas, é a parte que me compele a sempre me preservar dessa maneira, o centro de onde os meus raios saem de formas e tamanhos diversos, meu universo a se replicar partindo e voltando para o mesmo ponto.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O reino das pedras

Endurecemos, definitivamente acabamos perdendo parte da nossa maciez com o tempo, crescer passou a ser sinônimo de ser durão, de ser forte e denso.

Somos o reflexo do nosso modesto planeta a encenar em um universo particular, e o vazio entre os corpos celestes com que convivemos nos resfria de fora para dentro, somos uns para os outros a casca dura, o solo firme, cheio de relevos e relevâncias, ainda que dentro não passemos de uma pasta de sentimentos.

Bastas que as coisas se descontrolem no interior para que os sentimentos transbordem o que não difere em tanto da nossa mímica geológica, quando reprimimos algo isso revolve na superfície e quem observar vai ver que ficamos desfigurados e mostramos a face da raiva, da tristeza, da dor, do descontentamento.

Quando não se pode mais conter, nós entramos em erupção e expomos tudo o que estava guardado, sejam os vulcões de dentro dos nossos mares, a nos provocar gigantescas ondas de sentimentos, ou na superfície mudando nossa aparecia completamente. Colocamos para fora justamente porque o que permanece fora resfria e endurece com o tempo.

Não é de se espantar que algumas pessoas se comportem como objetos em um reino de pedras.

[queria pedir desculpas a todos os geólogos e demais estudiosos da área por usar o termo "pedra" quando estou falando das suas preciosas "rochas"]