sábado, 30 de janeiro de 2010

Conselhos


O melhor conselho que conheço é avaliar os próprios conselhos... Já se perguntou o poder de uma frase sua dirigida a vida de outra pessoa? A oportunidade de guiar duas vidas é uma grande armadilha em que quem arma expõe a confiança e quem nela pisa arisca a amizade... Nunca gostei de dar conselhos e nunca parei de dá-los... A sensação é de ter uma arma nas mãos e nem sempre tenho a certeza se quando a levanto estou defendendo ou expondo um amigo a linha do meu disparo... Penso em homens que aconselharam reis... E percebo que bons conselhos só são dados a verdadeiros amigos e que o peso dos conselhos que deram nunca foi nem maior ou menor que o dos conselhos que dou... É como esculpir a estatua de uma vida que pede o seu toque pessoal, quando acertamos continuamos a trabalhar nela sempre que aparece uma oportunidade e nunca está perfeito mais sempre existem motivos pra comemorar, de todo modo um erro e se perde a peça inteira. Nunca abandonei um amigo a própria sorte. Sempre arrisquei o que tínhamos de melhor para poder continuarmos; quando me pergunto se valeu ariscar minha amizade por um conselho percebo que não me valeria de nada uma amizade a quem não me dediquei em fazer feliz.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Avaliação

Defina-se! Sinceramente não sei com que eficiência eu poderia cumprir essa ordem, já fui tanto que fica difícil determinar o que hoje sou. A estranha combinação de sim e não que resultou no meu presente parece não se explicar sozinha, o antes parece cada vez mais perto e o agora tão distante, estaria eu vivendo de lembranças? Ou sequer vivendo eu estaria? É fácil determinar o que fui difícil é dizer o que sou: com quem irei me comparar? será que mais alguém tentou parar o tempo e acabou parando nele? Quantos viveram a minha historia senão somente eu? Nada disso me faz especial; nenhuma dessas circunstâncias me lega algum privilegio sou um em meio a todos e todos tem sua própria historia por que eu não consigo mais guiar com determinação a minha? Algo me prende sempre na mesma pagina da minha vida, algo me impele a tornar os dias iguais para não avançar nessa historia é como se tivesse algo nessa pagina ainda a ser lido ainda a ser vivido ou superado e todos os dias volto nela para tentar fechar essa lacuna. Já tentei rasgá-la e continuar, mas quando desenho letras em uma nova pagina tenho sempre uma nova imagem da antiga, parece um tipo comum de loucura em um tipo incomum de louco e quanto mais tempo passa mais estática fica a cena é justo que o passado não se mova é meu pesadelo que repetir o passado se torne a única ação do meu presente e como seguindo rastros dou sempre os mesmo passos e como uma sombra nunca sigo em frente apenas sigo, nunca independente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Correio

Venho conjeturando que as palavras tenham que ser endereçadas não faz sentido jurar amor ao vento ou sequer a quem não se conhece, incomoda-me a boba insistência que venho mantendo de remeter palavras sem destinatário e o eficiente correio da vida sempre me devolve o que mando por que nunca encontra para quem mandei. Divirto-me ao ver os selos e contemplar as mensagens, por outro lado desejo que ao menos uma não volte, que ao menos uma encontre destino, que ao menos uma dê frutos e que a vida me devolva algo que não tenha a minha grafia

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tanto por tão pouco...



Acho que perdi as contas das vezes que avaliei o que fiz e cheguei nessa conclusão tanto por tão pouco e às vezes é tanto por nada... Hoje percebi que estive esse tempo todo errado, sempre foi tanto por tanto parece uma visão ilógica, claro esse é o problema simplesmente tiramos a parte que completa o tão pouco da nossa linha de visão, quando chegamos ao um tanto por tão pouco nos esquecemos do tamanho da nossa decepção e percebemos que é tanto por tanto, as quantidades são sempre as mesmas só que o elemento é diferente e a fonte também, quando pouco ou nada retorna do seu investimento você completa com seu desapontamento. Às vezes nos damos conta que damos tão pouco por tanto e não vemos que o nosso tão pouco é tanto pra tanta gente. Começo a perceber o quão insensível eu fui quando neguei um simples sorriso que poderia ter dado motivos para outra pessoa sorrir, quando guardei para mim um bom dia que poderia ter sido dividido com outra pessoa que estivesse esperando por um dia melhor, quando me limitei a não perguntar como os outros estavam para não ouvir o quão mal eu estava, em fim todas as vezes que não fiz o pouco que esperavam de mim perdi tanto.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vazio



Com desapego deixo palavras enquanto preencho essas linhas e com desapego igual uma a uma todas são minhas, as leio com a distância de quem não as quer mais, as organizo para uma ultima apresentação, todas juntas fariam um e todo sentido se as escrevesse por algum motivo, não há arte, dom ou determinação que a folgue a tristeza, qualquer palavra se encaixa onde todas caberiam talvez não justas na minha injustiça, sejam desgraçadas na minha falta de graça, que entorta belas palavras para compor uma obra nefasta, que ensurdecem os ouvidos que as ouvem e silencia quem as declama, pois todos aqueles que com elas tem contato sabem, que quem as escreveu, já não mais ama as palavras que escreve já não ama mais nada, como irei preencher o papel se encontro-me vazio?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Análise

E até o mais belo encantamento tem componentes sórdidos em seu feitiço, seja uma pitada de egoísmo ou duas colheres de sopa de crueldade, tudo parece levar consigo uma dualidade duvidosa ao caldeirão da vida, enquanto fervemos tudo no fogo a lenha de nossa consciência e destilamos nossa poção mágica a fim de sanar os males da existência. Será que realmente ajudamos alguém que passa por dificuldade por que o outro sente dificuldade ou por que vemos nas dificuldades dos outros a fragilidade da nossa natureza e nos incomodamos com aquela situação que sem a ajuda de outros não pode ser superada? Seria nossa bondade aparente uma maneira de tentarmos transformar a sociedade em prováveis bons vizinhos, assim quando precisarmos outros nos ajudarão? Não estariam os religiosos apenas trabalhando por sua salvação? Não seria essa bondade puro embuste? Não estaria esse ato maculado por segundas intenções? Não seria a família um tipo de seguro que devemos zelar para desfrutar dos benefícios nas horas ruins da vida? E quando tratamos do amor a quem verdadeiramente amamos? Seriam nossas juras algo mais que contratos selados por beijos e assinados por caricias? Será que não desejamos a felicidade do outro porque somente feliz o outro estaria conosco? Talvez seja por isso que sacrifício individual, quanto não reconhecido destrói as relações, aquele que de si deu tudo apenas aceita do outro tudo, para assim ter a si de volta



Começo a acreditar que a natureza humana tenha um sentimento primário e que esse se chame egoísmo, nunca ouve um momento em que não estivesse pensando em mim ate quando penso em outros penso nas vantagens e desvantagem que vem com eles, seria realmente possível fazer algo por outra pessoa? Ou sempre estamos fazendo antes de tudo por nós? Passei algum tempo refletindo sobre os favores e percebi que só os fazemos por ser a porta dos desejos, fazemos favores para pedirmos favores. Não acredita? então como você chama alguém que te nega um favor depois de você ter feito vários para ele? Seria alguma palavra muito diferente de ingrato? E porque cobramos gratidão se antes não queríamos nada com o ato? Tudo leva a crer que no fundo sempre estivemos querendo algo só não tínhamos a idéia do que pedir.



A vida perde um pouco da beleza ao sabermos que os sentimentos mais belos estão ligeiramente dopados pelo egoísmo, que se uni a algo de maior virtude como uma simples e inseparável impureza, e quanto mais atrocidades egoístas cometo: quando roubo um sorriso, quando furto um beijo, quando faço da alegria de outros a minha, quando não machuco para não ser machucado, quando protejo para ganhar proteção e quando dou um bom exemplo a fim de ser seguido; cada ato monstruoso desses me torna mais humano e por ter a consciência de que talvez seja essa maldade primaria que deforme o monstro é dela que resulta sua bela obra e nesse baile de mascaras deveríamos usar nossa melhor fantasia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sina


Hoje despertei assustado, compreendi a verdade e longe de ser libertado fiquei ciente que estou preso, desvendei meu padrão e me tornei previsível, tamanha foi minha surpresa em acordar e não ser mais caótico, após cometer o mesmo crime incontáveis vezes, encontrei quem armava minha armadilha... E descobri o porquê tento encantar: é por que fui encantado e na minha busca pelos meus mistérios fracassei em encontrá-los, então me dediquei a inventá-los e quando prontos, não me contentei e voltei a reinventá-los e como se não fossem meus, põe-me a consciência a descartá-los e comparado aos teus, os meu parecem deformados, passo eu a reformá-los, ao mero desagrado teu voltam eles a serem ignorados e admiro o que admiras procurando ser admirado, não é que não exista “eu” e que só por ti posso ser mudado, não é que eu viva a tua sombra mais que caminhe ao teu lado e te satisfazer me satisfaz por estares satisfeita e quanto mais te encanto, mais sinto- me encantado.

E talvez não saibas que é tua voz que nos guia quando és por mim conduzida, nem reconheça tua soberania em quanto és seduzida e que tão pouco entenda dessa minha meia vida, de sentir-me ao meio em meio a todos e todo se contigo, ainda que não tenha uma vida inteira sinto-me vivo com teu sorriso e as palavras que já não me pertencem só serão ditas no teu ouvido.

Os mais belos versos que fiz para ela são aqueles que eu não digo, porque se ela eu não tenho é dos versos dela que eu vivo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

10 coisas... Faz sentido em 2010


Perdi as contas de quantas vezes encontrei esses manuais de execução perfeita das coisas, são 10 maneiras de deixar de ser solteiro e existem mais 10 maneiras de ter sucesso na vida, 10 de como se manter saudável, 10 coisas que você deve evitar e 10 maneiras de como preparar maçarão instantâneo. Então acho que farei minha lista dos dez, mas “dez” o que? É difícil responder, aparentemente há 10 pra tudo. Quem sabe “10 sobre 10 coisas” e isso seria um livro e não um post.

Então será sobre os maiores tesouros de um homem, sobre as lições tuteladas pela vida [o que no caso se tratando da minha é bem curta, mas muitas lições levam menos que segundos para serem dadas e anos para serem compreendidas]

Em fim...

1- A confiança nem sempre é uma fraqueza e muita vez desempenha o papel de arma é bem mais fácil decepcionar pessoas que não confiam em você do que falhar com alguém de confiança.


2- A amizade tem idade e qualidades e envelhece de forma diferente para pessoas diferente, quando nova é disforme e frágil necessitando muita atenção e trabalho duro; quando adulta é solida, mas sempre corre o risco de se quebrar e quando envelhece é flexível dilata, contrai, dobra e desdobra não se abala sequer com a distância.


3- Os rótulos carregam pouquíssima informação sendo ma maioria das vezes a fonte das nossas maiores decepções


4- Perder é sempre pior do que nunca ter tido, não ter gera desconforto e perder gera descontentamento é uma decepção ser alvo do próprio desgosto


5- O coração é mais resistente do que se imagina sobrevive a vários martírios, contudo não pensa o que o submete a mais dificuldades.


6- É bem mais fácil dar nome as formas do que da forma a alguns nomes principalmente quando são nomes de sentimentos


7- É difícil reconhecer a importância que os outros nos dão quando não temos a mesma opinião sobre nós


8- Admirar demais leva inevitavelmente ao desejo e as fraquezas que você não domina podem te dominar


9- A palavra amor caiu na banalidade se usa amor pra se referir a tanta coisa que quando precisamos do seu verdadeiro sentido somos simplesmente desacreditados sugiro que por termos tirado a palavra amor de seu templo particular para ser usada em tudo temos hoje que junto do nosso amor oferecer provas dele


10- Não é só o que não conhecemos que tememos, muitas vezes temi ser conhecido