sábado, 27 de março de 2010

O que hoje eu sei do antes

Essas linhas não trazem o nome dela mais o traduzem ao menos para a minha linguagem limitada, e não conseguiria falar de mim sem usar palavras ditas por ela e de quem ela falava quando as dizia? Ela falava dela. E tomo suas palavras emprestadas para falar de mim por não ter outra maneira de descrever o meu passado que não existiria sem fazer parte do seu passado, ate onde ela me entendia? Entendia-me ate onde devia e como que por educação deixava-me com esse agradável limite no qual compreendia minha vida ate os limites do meu jardim mental e vivíamos a visitar jardins ela o meu, eu o dela e no costume de não passar deles passamos a falar apenas de grama, rosas e espinhos, assim foi ate que não sabia em que jardim eu estava se no me ou no dela, e se ela me falava de uma rosa eu lhe dizia a cor como se a rosa fosse idéia minha e na minha idéia de rosa se no seu espinho eu me feria era dor e sangue dela que a ponta do espinho tinha; como nós não sabíamos mais quem era o dono do jardim grama, rosa e espinhos eram bens comuns e de um jardim que não era meu colhi sorrisos que não tenho intenção de devolver e todas as rosas que compartilhamos também beberam minhas lagrimas. E por mais cortes que meu jardim pudesse oferecer sua função maior foi criar, inspirar e encantar, as tantas vezes que cai esse jardim foi meu motivo pra levantar, erguia-me por que ela acreditava que nada poderia me manter no chão por muito tempo, a certeza dela logo virava a minha, a transparência erra tanta que bastava um sorriso forçado para que eu sentisse vergonha do que fazia era tão boba minha tentativa de disfarçar felicidade que diante dela por mais dentes que tivesse pra mostrar era como um velho a mostrar-lhe a boca vazia e quando seus sentimentos transbordavam escoavam em mim como uma enchente e logo estávamos num estranho equilíbrio entre os sentimentos dela e os meus e ficávamos nem de todo triste, só meio contentes. Antes o tempo corria em ritmo sempre dobrado hoje anda tão lentamente que desconfio que as vezes permanece parado, quando voltei a viver somente a minha vida percebi que gostava de ter-la dividia se antes não tinha uma vida completa por festejar uma alegria que não era completamente minha, contudo nunca sofri sozinho.

terça-feira, 9 de março de 2010

E quando escolhi esse caminho deveria ter me livrado do coração...


Só sabe como usar alguém aquele que entende como esse alguém funciona... Existem poucas pessoas a quem não entendo e às vezes nem essas me escapam, mais pareço um demônio a envenenar almas, e retiro das pessoas aquilo que não me agrada em seus pensamentos, furtivo como um assassino vivo a matar idéias e conceitos, quando me tornei assim? Quando perdi o habito de conversar e passei a convencer? E o porquê de fazê-lo? Antes o fazia para mostrar que era possível, depois o fazia para tirar vantagem e hoje? Vivo a tentar não fazê-lo, e consigo? Às vezes... Não, hoje desfaleço aos poucos com cada linha de pensamento que mato, e desacredito na originalidade dos sentimentos que desperto, quantos deles não existem unicamente por vontade minha? Maldito e sedutor caminho o que trilho... Tão doce o sabor da vitoria tão triste não ter outra arma, outro método, e vivo sem saber se domino ou se lidero e quantas vezes não soube distinguir se tinha um amigo ou um servo. Tornei-me um inútil por não usar a única coisa que sei fazer “usar” e deixei de conquistar por não querer mais me julgar, quando começaram meus julgamentos? Quando comecei a me condenar? Fui meu juiz, meu júri e meu réu, contra o que me tornei, não tive defesa, ainda lembro o porque adentrei esse tribunal, entrei porque exigia dos amores que tive um amor de verdade, um amor que não fosse duplamente meu e tão somente culpa minha, um que eu não tivesse provocado e sim um que tivesse me escolhido.