domingo, 13 de março de 2011

Entre o píer e o barco.

Para onde vou? Tenho coragem de ir? Queria poder responder a essas perguntas, mas não são essas as perguntas que a vida me fez, ela perguntou e não pela primeira vez: Para onde vocês vão? Até onde vocês têm coragem de ir?

Vim me preparando para adiantar as coisas, tentar sair o mais rápido possível dessa situação toda de sofrer por depender dos outros. Estive calculando, medindo, questionando. Estava acima de tudo me condicionando as mudanças necessárias. Estou largando tudo o que já escrevi, simplesmente não é agora, vou ter que continuar nisso...

O motivo para abandonar o barco longe de ser o fato do casco está comprometido é basicamente que não tenho a ajuda necessária para retirar a ancora, só vou ate onde a corrente de ferro me deixa ir, queria por o pequeno veleiro nas correntes do mar e iniciar uma aventura, a essa altura tenho mesmo é que esperar.

Ando sem perspectiva, não tenho nada com que me importe para atingir no momento, meu único desafio é suportar o tormento de continuar tudo da maneira que está. Pergunto-me em que depositar as esperanças se de nenhuma maneira posso mudar as coisas sozinho, acreditei que estava acompanhado mais percebi que não nesse barco, a distância não é tanta entre o barco e o píer, embora apenas eu esteja preparado para remar.

Com o coração ancorado, nada posso fazer além de entrar no barco remar, remar e remar até que um dia a corrente pare de nos prender e outra corrente nos leve, breve ou brava da vida a correnteza.

Se o que precisa é de certeza, eu já encontrei a minha nova tarefa, vou passar os dias a preparar o barco, ampliar a nossa embarcação na tentativa de que tenha intenção de subir comigo, todos os dias remar para o mar, tentar, tentar e tentar...

sábado, 5 de março de 2011

Baile de mascaras

Quando as coisas começam a perder o sentido é que verdadeiramente começamos a perguntar os motivos pelos quais realizamos, muitas vezes sem pensar com o devido cuidado, algo.

Inegável o impacto causado por essa dura realidade, fica aquela sensação que fomos pessoalmente sabotados, vemos o que desejamos ver, ouvimos o que pretendíamos e acima de tudo falamos e lutamos para defender o que não valia ser defendido. Escolhemos os pesos errados para por do outro lado da balança, desta maneira forçamos o prato a subir e se destacar como se o seu valor fosse realmente alto.

Na hora que tudo isso cai por terra, vamos desmoronamento a baixo junto com os destroços, soterrados na lama, pensando em como tudo isso foi acontecer, como acabamos parando ali, no meio de toda aquela situação.

Em nossa defesa dizemos com demasiada freqüência que ficamos cegos, quando estávamos apenas sentindo o efeito da venda que confortavelmente colocamos diante dos nossos olhos. Confusos quando precisamos não admitir que deixamos de ouvir a voz (ou as vozes em alguns casos) da razão. Agindo desesperadamente quando fazemos algo sem ponderar ao menos pelo tempo necessário para analisar onde as coisas acabariam.

Conservamos o habito de fantasiar as nossas falhas, deixá-las de alguma maneira menos feias, arrumadas, de algum jeito aceitáveis, com um “que” de acidental e inevitável, damos aos seus efeitos um ar de reparável e facilmente superável, abstrairmos ou subtraímos ao máximo a nosso culpa, quando não a transferimos por completo.

Carnaval chegando e logo partindo, ainda assim nos deixando o ano todo em um baile de mascaras sem fim. Onde tudo é festa e folia, as magoas são encerradas toda quarta de cinzas, se brincamos antes estamos apenas fora de época, se passamos da conta é culpa do nosso excesso de energia, se vamos sozinhos é de tanta alegria, se levamos outro pelo nosso caminho é porque contagia. De toda maneira esse bloco vai passar sem nós, o que fica dentro se sente deixado, o que pula fora parece ter se encontrado, não sem dor, não sem espanto, e sim livre.